Bolsonaro diz que crítico de seu plano de governo é “analfabeto”; essa projeção é mecanismo de defesa

Exigir discurso coerente de um candidato à Presidência que justifica a escolha de um vice com a necessidade de ter alguém que “meta o pé na porta” é passar recibo de tolice. Assim é Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL, que ousa afirmar ser o único capaz de resolver os problemas do País.

Nesta sexta-feira (17), ao ser questionado sobre as críticas ao seu plano de governo, Bolsonaro disse que quem critica é “analfabeto” e não sabe interpretar, sem fazer referência a ninguém de forma específica.

A declaração, que não foge ao jeito estúpido de ser de Jair Bolsonaro, foi dada no momento da chegada do candidato à cerimônia de formatura de sargentos da Polícia Militar de São Paulo, na Zona Norte da capital paulista.

“Eu não posso responder a esse analfabeto que falou isso. Se o cara não sabe interpretar, eu não posso fazer nada”, afirmou. Jair Bolsonaro, que está longe de ser um monumento à genialidade, até porque ele próprio afirma que desconhece muitos assuntos, deveria ter um momento de humildade e reconhecer que o seu programa de governo é pífio e inexequível.


Quem entende minimamente de política e de governo sabe que a proposta de governo de Bolsonaro é um atentado ao bom senso, mas, no momento em que se encontra o País, um alento à truculenta legião de seguidores do candidato, aqui chamada de seita, tamanha é a cegueira que os impede de enxergar o óbvio. Mas como a ordem é resolver tudo à base do pé de cabra, o plano de governo em questão é a obra prima do século.

Jair Bolsonaro é movido a frases de efeito, o que leva sua turba ao delírio, como se suas palavras fossem profecias. Ao afirmar que “as pessoas que realmente estão preocupadas com a política e o futuro do Brasil gostaram do plano”, o candidato do PSL mostra a quem de fato quer ver a realidade como de fato o que poderá acontecer com o País no curto prazo, caso ele vença a corrida presidencial.

Sobre a afirmação de que é “analfabeto” quem critica o seu plano de governo, Jair Bolsonaro, que crê ser o derradeiro escorreito do globo terrestre, desde já mostra a que veio. Tomando por base o texto do tal plano de governo, o analfabeto que o escreveu foi reprovado em gramática. Talvez tenha ocorrido o mesmo com o signatário.

Na Psicologia, a projeção é considerada um mecanismo de defesa no qual os tributos indesejados de determinada pessoa são transferidos a terceiros. Talvez Jair Bolsonaro tenha lido o próprio plano de governo e chegado à conclusão que não passa de uma obra de analfabeto. E como lhe falta humildade, a projeção é a saída mais fácil. Freud explica!