Filho de Bolsonaro posta em rede social foto que simula tortura de integrante do movimento #EleNao

Diz a sabedoria popular que o fruto não cai longe da árvore. Isso serve para explicar outro dito: “filho de peixe, peixinho é”. Candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro vem abusando da dramatização para, através das redes sociais, condenar o que chamou de “divisão da sociedade”.

“Muitos miram propositalmente na divisão da sociedade, resultando na luta de classes e no enfraquecimento de nossos valores. Pessoas divididas, sem identidade familiar e cultural são mais fáceis de serem controladas. É o plano perfeito para quem quer se perpetuar no poder!”, escreveu o presidenciável no Facebook.

Porém, somente um desavisado ou alguém tomado pela cegueira do pensamento é capaz de cair em mais uma armadilha da campanha, cujo objetivo é evitar o pior até a eleição. Enquanto Bolsonaro tenta destilar pílulas de falso bom-mocismo, seus filhos continuam agindo na contramão.

A mais nova sandice leva a rubrica de Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro que, como de costume, não nega a verve paterna. Nesta quarta-feira (26), o filho do candidato causou polêmica nas redes sociais ao compartilhar, nos Stories do Instagram, uma foto que simula uma sessão de tortura de um apoiador da campanha #EleNão (contrária à eleição do pai).

A imagem mostra um jovem com os braços amarrados, o rosto ensanguentado e a cabeça coberta por um saco plástico – técnica de asfixia. No peito o jovem tem a hashtag #EleNão. Como se não bastasse, a foto traz a inscrição “sobre pais que choram no chuveiro”, referência a pais que supostamente sentem vergonha dos filhos homossexuais.

Originalmente, a imagem da “tortura” foi publicada no Instagram no @direitapvh, que tem postagens críticas ao ex-presidente Lula e homenagem ao presidente dos Estados Unidos, o apasquinado Donald Trump.

Em qualquer país minimamente sério, Carlos Bolsonaro já estaria dando explicações às autoridades policiais, pois a publicação configura crime. Não importa o mandato de vereador ou qualquer outro cargo, é preciso que o Brasil dê um basta a essa lufada de imbecilidade que é o culto a torturadores, algo que Jair Bolsonaro faz publicamente sem qualquer cerimônia. Aliás, o presidenciável já declarou em público que “o erro da ditadura militar foi torturar e não matar”.

Por conta da postagem, o nome de Carlos Bolsonaro entrou para os assuntos mais comentados do Twitter durante a tarde desta quarta-feira. “Ambos, pai e filho, ocupam cargos PÚBLICOS. Se uma postagem dessa não é suficiente pra que NENHUMA instituição pública se manifeste e tome uma atitude, a barbárie já está liberada”, escreveu um internauta.

“Carlos Bolsonaro postou no stories a foto de um homem torturado com uma sacola plástica na cabeça a boca aberta e sangue por todo lado ameaçando quem postou #EleNão. É no MP que denuncia? Os candidatos vão repercutir isso no debate de hoje?”, questionou outro, citando o debate promovido pelo SBT.

“Incita a violência, a tortura e soa como ameaça, que é só o que essa família sabe fazer”, emendou outro internauta.