Carne Fraca: exportação de carnes adulteradas deve provocar incidente sanitário internacional

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A Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira (17) pela Polícia Federal, estarreceu o País em virtude do fato de que as investigações apontam que os principais frigoríficos brasileiros, que dominam o setor, vendiam carnes e produtos vencidos, adulterados e estragados, com a conivência criminosa de servidores do Ministério da Agricultura. A PF cumpre 38 mandados de prisão em todo o País e outros de busca e apreensão nos locais onde funcionam os frigoríficos.

De acordo com os investigadores, as empresas usavam produtos químicos para esconder a aparência dos deteriorada produtos e o odor típico de carne estragada, crimes que em qualquer país minimamente sério já teria levado os donos das empresas à prisão. A operação policial identificou que alguns frigoríficos usavam carnes impróprias (cabeça de animais) na produção de embutidos, o que é proibido por lei. Além disso, os frigoríficos processavam carnes de animais abatidos a mais tempo do que o permitido pela legislação.

As investigações apontam que algumas empresas, entre as quais a JBS (Friboi, Swift e Seara) e a BRF (Sadia e Perdigão), chegaram a exportar carnes vencidas e adulteradas, mesmo cientes de que os produtos seriam devolvidos pelos destinatários por não se adequarem aos padrões de qualidade.

A insistência em exportar os produtos adulterados foi justificada pela necessidade das empresas de não ter mercadorias paradas e sem comercialização, decisão que certamente produzirá um rumoroso incidente sanitário internacional. Isso significa que a exportação de carne brasileira pode despencar, provocando demissões no setor.


Antes dessas aguardadas consequências, os primeiros efeitos colaterais da Operação Carne Fraca foram sentidos na Bovespa, onde as ações da JBS e da BRF registram baixas de 7% e lideram o movimento de queda no mercado acionário brasileiro.

O Brasil, infelizmente, transformou-se no paraíso dos impunes, que durante décadas assaltaram o Estado e vilipendiaram os direitos dos cidadãos, como se inexistissem no País leis e pessoas responsáveis e comprometidas com a verdade. O consumidor brasileiro tem o dever de dar uma resposta à altura a essas empresas, que agora negam os fatos comprovados pelos investigadores. Respostas repetitivas e comunicados de encomenda nada resolvem o estrago feito.

De tal modo, as marcas e os produtos das empresas flagradas na Operação Carne Fraca devem ser rechaçadas pelos consumidores brasileiros, pois a maior punição não virá na esteira da lei, mas, sim, no vácuo da queda no faturamento. Quem sabe um dia o Brasil consiga ser um país sério e confiável.

É importante lembrar que esses delinquentes, que usurpam a dignidade e os direitos dos cidadãos, vez por outra recorrem ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para, como se mágica fosse, tomar fortunas emprestadas a taxas módicas de juro.

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