Cientistas alertam que humanidade não tem como evitar impacto de um asteroide

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Há milhões de anos, os dinossauros foram dizimados pelo impacto de um meteoro com a Terra. Hoje, os seres humanos podem seguir o mesmo destino, alertou Joseph Nuth, pesquisador do Centro Espacial Goddard.

Em apresentação na última segunda-feira (12), durante o encontro anual da União Geofísica Americana, o estudioso afirmou que a Humanidade não está preparada para lidar com um cometa ou grande asteroide em rota de colisão com Terra. “O maior problema, basicamente, é que não há muito que possamos fazer sobre isso no momento”, declarou Nuth, de acordo com o jornal britânico “The Guardian”.

Nuth destacou que asteroides e cometas grandes e potencialmente perigosos são extremamente raros, se comparados com pequenos objetos que ocasionalmente explodem na atmosfera ou se chocam com a superfície do planeta. E não há nenhuma previsão de que algo assim pode acontecer. “Mas, por outro lado, eles são eventos com potencial de extinção, como o que exterminou os dinossauros, que acontecem a cada 50 ou 60 milhões de anos. Você pode dizer, claro, que estamos próximos de algo assim, mas é algo aleatório”, ressalvou o cientista.

Os cometas percorrem caminhos distantes da Terra, entretanto, às vezes, podem se aproximar da nossa vizinhança. Segundo Nuth, o planeta enfrentou um “encontro próximo” em 1996, com o cometa Hyakutake, e novamente em 2014, quando um cometa passou “dentro da distância cósmica de Marte”. Este segundo corpo foi descoberto apenas 22 meses antes de cruzar pela Terra, sem tempo suficiente para o lançamento de uma missão de desvio.


“Se você observar o cronograma de espaçonaves de alta confiabilidade, leva cinco anos para o lançamento. Nós tínhamos 22 meses”, disse o cientista.

A NASA criou, recentemente, um escritório de defesa planetária, e Nuth recomendou que a agência construísse um foguete de interceptação para ser armazenado, com testes periódicos, além de uma espaçonave de observação. Dessa forma, a agência espacial americana poderia cortar o cronograma de cinco anos pela metade, mas ainda assim insuficiente.

Uma espaçonave em estoque, pronta para o lançamento dentro de um ano, entretanto, “poderia mitigar a possibilidade de um asteroide vindo de uma região difícil de observar, como o Sol”. O cientista esclareceu que ele não fala em nome da NASA, e uma missão como esse precisaria de aprovação do Congresso.

Cathy Plesko, pesquisadora do Laboratório Nacional Los Alamos, explicou que existem duas formas de desviar um asteroide: uma ogiva nuclear ou um “impacto cinético, que é basicamente uma bala de canhão gigante”. “A tecnologia de bala de canhão é muito boa para interceptar objetos em alta velocidade. Acaba sendo mais efetiva que grandes explosivos”, afirmou Cathy.

Contudo, os cálculos para um defletor desse tipo precisam de longo refinamento. Por outro lado, a ogiva nuclear, considerada o último recurso, explodiria o asteroide, com efeitos colaterais perigosos, incluindo os destroços da explosão.

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