Crise: mercado financeiro prevê inflação mais baixa em 2017 e reduz crescimento da economia

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Consultados semanalmente pelo Banco Central (BC), analistas do mercado financeiro estimam que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), terá trajetória menos turbulenta em 2017, ao passo que o PIB será ainda menor.

De acordo o Boletim Focus, do BC, os economistas apostam em IPCA na casa de 4,64%, no encerramento do ano, contra 4,70% da previsão anterior. Trata-se da quinta queda seguida na estimativa da inflação. Em relação a 2018, a expectativa para o IPCA permaneceu em 4,50%, ou seja, alinhado com o centro do plano de metas estipulado pelo governo federal.

Entre a inflação oficial e a real, aquela enfrentada pelos cidadãos no cotidiano, há uma considerável diferença. Quem foi às compras nas últimas semanas não demorou a perceber uma escandalosa alta nos preços, em especial no setor de alimentos. Enquanto o governo acena com números otimistas, a realidade vivida pelos brasileiros é diferente e assustadora.

No tocante ao Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado financeiro reduziu a previsão de crescimento da economia de 0,50% para 0,49%. Qualquer economista estreante, saído recentemente da universidade, sabe que esse binômio – inflação baixa e pífio desempenho da atividade econômica – é uma receita explosiva. Isso mostra que a inflação oficial vem caindo não por conta das ações do governo, mas pela queda continuada do consumo, além da baixa cotação do dólar.


Sobre a taxa básica de juro, os especialistas projetam que até o final de 2017 a Selic estará no patamar de 9,50%, contra os 13% atuais. A questão envolvendo a Selic precisa ser melhor analisada, pois uma redução acentuada poderá aquecer o consumo, sem que o mercado esteja preparado para responder à demanda de forma imediata.

Em relação ao câmbio, os economistas preveem que a moeda americana, que nesta segunda-feira (6) é comercializada a R$ 3,12 (cotação das 14 horas), encerrará o corrente ano valendo R$ 3,40. Para 2018, a previsão é de que a divisa norte-americana chegará a R$ 3,50.

Confirmada essas previsões, o governo enfrentará problemas no processo de redução da inflação. Até porque, a alta do dólar influencia o preço de insumos e de produtos importados que suprem o mercado interno. Por outro lado, o dólar valendo mais beneficia as exportações brasileiras, uma vez que aumenta a competitividade dos produtos nacionais, que ainda padecem da não modernização do parque industrial.

A projeção do relatório Focus para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2017 subiu de US$ 45,1 bilhões para US$ 46,5 bilhões de resultado positivo. Para o próximo ano, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit recuou de US$ 40,7 bilhões para US$ 40,5 bilhões.

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