Atendimento da Golden Cross se aproxima das filas do SUS, situação que se repete nos planos de saúde

Consultas em junho – Na semana passada, médicos realizaram um protesto contra os planos de saúde. O ministro Alexandre Padilha afirmou que não comentaria a questão, mas que as alegações dos profissionais devem ser ouvidas. “O que eu peço e torço é que os serviços de saúde da população sejam mantidos”, limitou-se a dizer o ministro da Saúde.

Padilha, assim como a Agência Nacional de Saúde, deveria propor mecanismos de controle dos serviços prestados pelas operadoras. Se os médicos estão descontentes, a situação não é diferente para milhões de usuários dos planos, pois o tempo de espera das consultas chega às raias do absurdo.

Enquanto o governo prevê a criação de um programa de avaliação e desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS), as operadoras estão praticamente sem fiscalização ou controle. A operadora Golden Cross Assistência Internacional de Saúde é um exemplo desse descalabro. Embora tenha centenas de clientes em Brasília, sequer mantém uma representação na capital dos brasileiros para receber reclamações.

Uma usuária tenta há um mês marcar uma consulta com um ginecologista credenciado. Nenhum dos nomes apresentados no livro de credenciados pela empresa está atendendo. “A impressão que eu tenho é que a Golden Cross é o SUS particular, pois os poucos que ainda atendem só estão aceitando marcação para segunda quinzena de junho. Eu disse de junho. Ou seja, só vou poder começar meu pré-natal quando estiver com quatro meses”, disse a inconformada filiada à Golden Cross.

No final do mês passado, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região declarou a legalidade das multas que somam mais de R$ 4 milhões cobradas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar contra a Golden Cross. As multas foram aplicadas porque a operadora negou cobertura médica a consumidores, sob alegação de doença ou lesão preexistente sem comprovar que os clientes já tinham conhecimento da doença no momento da assinatura do contrato de plano de saúde.

Tem razão o presidente da Associação Médica de São Paulo, Jorge Carlos Machado Curi. “Vivemos uma situação insustentável na saúde suplementar. Após uma década da regulamentação do setor e oito anos da CPI dos Planos de Saúde, o direito dos usuários à assistência de qualidade continua em risco por questões puramente econômicas”.

Curi afirmou em artigo publicado no “Jornal de Campos de Jordão”, que os intermediários entre os pacientes e os médicos, isto é, as empresas do setor, acumulam lucros milionários e crescentes, fundem-se em grupos econômicos de força assombrosa, dominam o cenário político da regulação governamental. Transformam as brechas legais e a imaturidade da nossa sociedade em um incomparável filão de negócios.