(*) Marco Rosetti, da Agência Congresso –
A disputa de uma vaga para ministro do TCU está acirrada e o alvoroço ocorre graças à candidatura da líder do PSB, a pernambucana Ana Arraes. Aos 63 anos, em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, a filha de Miguel Arraes fechou a semana com uma boa margem de votos no PT, no PSDB e no PSD. Chama a atenção a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar uma vaga no TCU, desde a redemocratização do País. A última que obteve esse mérito foi Élvia Castelo Branco, ainda no período da ditadura militar (1964-1985).
Apesar de ser a única candidata mulher, ela não conta com apoio total da bancada feminina no Congresso. É que cada partido tem um candidato. A deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), por exemplo, vice-presidente da Câmara, diz que gostaria de apoiar a companheira deputada. Mas lembra que seu partido tem candidato e que o primeiro compromisso é o partidário. O apoio do filho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, também não agrada a Rose.
“Essa é a primeira chance do PMDB indicar um ministro para o TCU, mas o partido ainda vai se reunir para decidir a questão”, afirmou a deputada capixaba.
O PCdoB, de Aldo Rebelo, fez de tudo para que Ana Arraes desistisse da disputa e apoiasse o candidato comunista. Ela não topou. Quem conhece dona Ana, como os colegas de Congresso a chamam, sabe que ela fala sério. Afinal, desde muito jovem ela enfrentou as dificuldades impostas pela ditadura militar.
Em julho de 1964, aos 17 anos, foi incisiva com o comandante-geral do IV Exército, general Olímpio Mourão Filho, ao pedir que ele liberasse a presença de seu pai, Miguel Arraes, àquela altura preso político em Fernando de Noronha, para que ele pudesse comparecer ao casamento da filha.
Ela tanto fez que o general assentiu. E, em agosto, ela se casou na capela da Base Aérea, cercada por soldados. Do casamento, Miguel Arraes voltou para a cadeia. Ana, já casada, não seguiu com ele para o exílio mais tarde. Só foi revê-lo mesmo em 1970, quando levou seus filhos para conhecer o avô em Argel, capital da Argélia, entre eles, o pequeno Eduardo.
A família só se reuniu para valer em 1979, quando Arraes voltou do exílio e ela passou a acompanhar de perto a carreira do pai. E, mais tarde, a carreira política do filho. Entre os colegas ela é vista como alguém de fibra. Voz baixa, porém firme. E quando toma gosto por alguma coisa, não tem obstáculo que a segure. Na política foi assim.
Tomou tanto gosto que, no ano passado, percorreu 120 mil quilômetros no período de campanha, o que ajudou a multiplicar a votação de 2006. Foram 387.581 votos, o que a colocou entre as campeãs em todo o Brasil.