Governo prorroga redução de IPI de geladeiras e móveis, mas tributos de material escolar são abusivos

Caminho contrário – Definitivamente os atuais inquilinos do Palácio do Planalto não se preocupam com o bem-estar do povo, que cada vez mais é empurrado ao consumo descontrolado como forma de minimizar os efeitos colaterais da crise internacional, que já afeta sobremaneira a economia brasileira.

Para tentar dar mais um drible na crise que chacoalha a zona do euro, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, anunciou a prorrogação da redução das alíquotas de IPI incidentes sobre produtos da linha branca (geladeira, fogão, máquina de lavar e tanquinho) pelo período de dois meses. Para móveis, laminados e luminárias a prorrogação é de três meses. O ministro anunciou que tentará incluir nesse pacote a redução do IPI sobre painéis de madeira, atualmente em 5%.

Não faz muito tempo, o próprio Guido Mantega afirmou, sem medo de errar, que o Brasil passaria ao lado da crise econômica internacional, tese prontamente endossada por Dilma Rousseff. Em seguida, a dupla garantiu que o Brasil cresceria em níveis maiores do que em 2011, mas as previsões para este ano apontam para um encolhimento ainda maior da economia.

É verdade que cabe ao governo manter a economia, mas medidas pontuais e genéricas pouco resolvem os problemas de um país que clama por mudanças estruturais e mais profundas. O Brasil sofre as consequências da irresponsabilidade do governo Lula, marcado por fanfarrices de toda ordem, mas os palacianos resistem em admitir o óbvio. Enquanto incha a máquina federal com nomeações de companheiros e apaniguados, o governo reclama de decisões como a aprovação do Plano Nacional de Educação, que entre as metas previstas está o investimento de 10% do PIB no setor.

Estivesse preocupado com o futuro da nação e dos brasileiros, o governo federal já teria se interessado por uma proposta do ucho.info que reduz o IPI, PIS e Cofins incidentes sobre materiais escolares, pois somente com a educação será possível patrocinar uma revolução de fato, colocando o Brasil entre os grandes. Transformado em projeto de lei, a matéria, que teve o editor do site como mentor, já foi aprovada no Senado Federal, mas aguarda a boa vontade dos doutos deputados para avançar na Câmara.

É sabido que instruir o povo não interessa aos políticos de uma nação que diuturnamente é corroída pela corrupção e pelos desmandos, mas a sociedade precisa clamar por melhorias e aderir a projetos como o sugerido aos parlamentares pelo editor do ucho.info, um dos muitos que surgiram de sua escrivaninha para beneficiar a população cada vez mais vilipendiada em seus direitos básicos.

A título de exemplo do que é cometido contra o cidadão em termos de cobrança de impostos, uma simples caneta esferográfica, dessas usadas em salas de aula, carrega 47,49% de impostos em seu preço final. Confira abaixo a carga tributária incidente em diversos materiais escolares, os quais poderiam ser zerados de imediato, pois o governo pouco perderia em termos financeiros com essa medida.

Confira abaixo a carga tributária que incide sobre alguns materiais escolares

Agenda escolar (43,19%)

Apontador (44,39%)

Borracha escolar (43,19%)

Caderno universitário (34,99%)

Caneta (47,49%)

Cola branca (42,71%)

Estojo para lápis (40,33%)

Fichário (39,38%)

Lápis (36,19%)

Livros escolares (15,12%)

Mochilas (39,62%)

Papel pardo (34,99%)

Papel sulfite (37,77%)

Pastas plásticas (40,09%)

Régua (44,65%)

Tinta guache (36,13%)

Tinta plástica (36,22%)