Acidente com cinegrafista da Band, no Rio, mostra que há muito que mudar na seara das reivindicações

(Agência O Globo)
(Agência O Globo)
Triste e para pensar – É necessária apuração rápida do que ocorreu para que procedimentos sejam revistos e para que o Estado proteja a liberdade de expressão, a liberdade de informação e o jornalista. Essa é a posição da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), destacada em nota divulgada em nota após o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, ser atingido na cabeça por um artefato explosivo durante protesto no centro do Rio de Janeiro.

Andrade filmava, próximo à Central do Brasil, o confronto entre policiais militares e manifestantes, que criticavam o aumento da tarifa de ônibus, que no sábado (8) passará para R$ 3. O cinegrafista da Band teve afundamento craniano e foi levado pela PM para o Hospital Souza Aguiar, onde foi submetido a cirurgia e permanece internado em estado “muito grave”.

Nesse triste episódio é preciso destacar alguns pontos importantes, sem os quais a busca pela informação continuará sendo uma operação de risco cada vez maior. Qualquer reivindicação que ocorrer na base da força e da violência sempre provocará vítimas, seja no lado dos que protestam, seja no dos agentes da lei e do Estado. E no meio desse cenário eminentemente de confronto está a imprensa. A ordem pública precisa ser mantida, até porque o direito de ir e vir precisa ser preservado, ao mesmo tempo em que só o diálogo inteligente e coerente pode produzir resultados.

No contraponto, a busca pela notícia não pode colocar em risco permanente os profissionais da imprensa, algo que vem ocorrendo com frequência no Brasil. É preciso que os veículos de comunicação encontrem alternativas nessa caçada à informação, da mesma forma que é importante oferecer aos profissionais da imprensa um treinamento específico para os profissionais da imprensa, assim como acontece com os correspondentes de guerra.

O Brasil vive uma turbulência à sombra das muitas mazelas do Estado e novos episódios surgirão com a aproximação da Copa do Mundo. Enquanto os grandes veículos de comunicação se curvam diante do governo, que dita ordens com a cornucópia dourada na mão, a população está cada vez mais insatisfeita. Por certo esses insatisfeitos não são representados pelos baderneiros que fazem uso da violência e desafiam a lei, mas, sim, são manipulados por interesses escusos de partidos que enxergam no caos o terreno fértil para a instalação de um regime totalitarista no País.

De nada adianta registrar os protestos, que de agora em diante devem crescer em quantidade e violência, sem de forma antecipada contestar dura e coerentemente a condução criminosa do Estado por parte de governantes incompetentes e corruptos.

O ucho.info lamenta profundamente o ocorrido com o cinegrafista Santiago Andrade e torce por sua recuperação, mas é preciso rever também a maneira desprotegida e arriscada como os profissionais da imprensa atuam na cobertura dos tais protestos. É preciso criar, juntamente com as autoridades policiais, um padrão recíproco de atuação para que novas tragédias não mais aconteçam. E não custa lembrar que por trás de qualquer notícia sempre há um ser humano, que no Brasil corre altos riscos em decorrência do desrespeito à lei e à ordem. Muito antes de um furo de reportagem ou de uma imagem exclusiva está a vida.