Sinuca de bico

(*) Ipojuca Pontes –

ipojuca_pontes_15O Brasil está, no plano eleitoral, em outra sinuca de bico. Diante dela, como na fábula do sapo e do escorpião, não há salvação à vista. E a razão é elementar: embora se conte mais de uma dezena de concorrentes, todos de esquerda fanatizados pela “presença do Estado”, as candidatas Marina Silva e Dilma Rousseff lideram as intenções de votos para as eleições presidenciais de 2014 deixando o social-democrata Aécio Neves (cria lustrosa do vaselina FHC) na rabeira da disputa.

Diante da realidade incontornável, a pergunta que se impõe é a seguinte: quem é pior para varar nos próximos anos o barco do “Florão da América”?

A ambientalista Marina (cujo verdadeiro nome de batismo é, de fonte segura, Maria Osmarina Silva) ou a terrorista Dilma Rousseff?

Páreo duro. Basta recapitular: Dilma Rousseff, como se sabe, tem uma vida pregressa mais negra do que asa de graúna. Integrante da VAR-Palmares, gang revolucionária comandada pelo terrorista Carlos Lamarca, a “gerentona” do PAC, para “salvar o Brasil”, fez o diabo em matéria de “malfeitos”: invadiu quartéis, assaltou bancos, esteve por trás de assassinatos de militares, manipulou o arsenal da guerrilha, “entregou” companheiros de viagem (notadamente, o operário Antonio de Pádua Perosa) e, já na chefia da Casa Civil do Dr. Honoris Causa Lula da Silva, permitiu, pela conivência marota, a divulgação oficial de currículo mentiroso em que se lhe conferia títulos de Mestrado e Doutorado em Economia – uma prática de rotina na fraudulenta vida pública brasileira.

(Dentre todos os “malfeitos” listados no longo prontuário de Dilma, destaca-se, sobremodo, o bem-sucedido roubo do cofre da amante do governador Ademar de Barros, Ana Capriglioni, em 1969. Com o saque planejado pela atual presidenta, a gang se apossou de US$ 2,5 milhões, fortuna que, até hoje, em que pesem as inúmeras versões, ninguém sabe direito onde foi parar)

Já o currículo de Osmarina, digo Marina Silva, bem menos rocambolesco, tem sua poderosa carga de nitroglicerina. Cabeça-feita pelas mãos de um bispo terceiromundista de Porto Velho, Dom Moacyr Grechi. Marina principiou por se fazer membro do Partido Comunista Revolucionário, organização marxista-leninista, que se agregaria, mais tarde, ao Partido dos Trabalhadores, então presidido pelo mensaleiro José Genoíno.

Atraída pelas lides do sindicalismo militante, logo se filiou ao corporativismo da Central Única dos Trabalhadores, passando a atuar, ao lado do falso mártir Chico Mendes, na fértil seara do ambientalismo selvagem. Deu-se, então, o casamento da fome com a vontade comer. Com o forte apoio financeiro do establishment europeu, composto por uma horda de nobres ociosos (entre eles, o indefectível Príncipe Charles e a Rainha Sofia, da Noruega), Marina, depois de aderir à guerrilha rural do MST, com direito a bonezinho vermelho e tudo mais, passou a agitar a bandeira ambientalista que aponta o ser humano como responsável pela destruição da mitológica camada de ozônio e a fraude do aquecimento global, hipótese pseudo-ambiental repudiada por centenas de estudiosos e dezenas de instituições científicas internacionais.

No PT, partido monitorado pelo tirano Fidel Castro e regulado pela máfia comunista imperante na América Latina, Marina, cujo “physique du role” se encaixa à perfeição nos padrões do inconsciente coletivo tupiniquim, subiu mais rápido do que rabo de foguete: foi vereadora, deputada estadual, senadora e ministra do Meio Ambiente, quando pontificou como adversária intransigente do agronegócio, até ser forçada a retirar-se do cargo oficial em face dos arreglos de Lula com o caricato Mangabeira Unger, o verdadeiro Dr. Fantástico de Kubrick.

Em 2010, para confrontar o PT, a ambientalista ingressou no sempre vermelho Partido Verde e se fez candidata a presidente da República, sendo derrotada pela “companheira” Dilma, por quem nutre, com razão, camuflado ódio.

De fato, Marina descobriu o caminho das pedras e joga firme para chegar ao centro do poder. Dominando com fluência o jargão do “mudancismo revolucionário”, a ambientalista, com a “simplicidade das pombas e a sagacidade das serpentes”, quer destronar Lula, seu antigo mentor, cada vez mais histérico ante a possibilidade de perder o butim.

Assim, mordida pelo não registro de sua Rede Sustentabilidade, um natimorto aglomerado de ONGs vermelhas, a Filha do Acre foi duplamente bafejada pelos fados da roleta política. Em pouco tempo ganhou uma legenda política, o PSB do comunista Miguel Arraes e, com a morte súbita do candidato Eduardo Campos, tornou-se séria ameaça à permanência do PT como proprietário do País.

Como marxista engajada, Marina faz da ambiguidade sua arma de atuação: ora se diz evangélica, mas com formação católica, ora professa o criacionismo, mas com direito ao ensino público da Teoria da Evolução. Já se disse contra a descriminalização do aborto, desde que seja realizado um plebiscito para tratar da questão. Foi contrária ao casamento gay, mas depois se declarou favorável à “união civil homoafetiva”. Pior: votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, no Congresso, descartou o projeto de lei que coloca à disposição das bibliotecas públicas uma edição da Bíblia.

Na verdade, Dilma e Marina não passam de farinha do mesmo saco. Ambas aspiram liquidar a democracia representativa e suas precárias instituições em favor de uma “democracia participativa”, dominada, de um lado, por “conselhos de políticas públicas” formados pela horda remunerada dos “movimentos sociais”, e de outro, por manipuláveis ONGs internacionalistas a serviço da crua sovietização coletivista.

Resumo: Marina, macaca velha, se diz porta-voz da “nova política”. E Dilma quer mudar para que tudo continue na mesma. É trocar seis por meia dúzia.

(*) Ipojuca Pontes, ex-secretário nacional da Cultura, é cineasta, destacado documentarista do cinema nacional, jornalista, escritor, cronista e um dos grandes pensadores brasileiros de todos os tempos.

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