Calheiros e Eduardo Cunha travam queda de braço com o Planalto e impõem parlamentarismo oficioso

eduardo_cunha_19Trem fantasma – Colecionando seguidas derrotas políticas desde a estreia de seu novo governo, a presidente Dilma Vana Rousseff continua mostrando insensibilidade para comandar o País à sombra do que ela própria chama de presidencialismo de coalizão, que nada mais é do que a reunião de partidos em torno de um esquema de corrupção sem precedentes na história nacional. Algo que o escândalo do Petrolão confirma com excesso de facilidade.

Enquanto Dilma insiste em tratar o Congresso Nacional com a truculência de sempre, os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respectivamente, continuam atuando como se o Brasil existisse politicamente à sombra do parlamentarismo. Na verdade, com Renan e Cunha “deitando e rolando” no Congresso, o que se vê é um modelo político que pode ser chamado de parlamentarismo disfarçado.

Se por um lado ambos os peemedebistas, apoiados por seus correligionários, impõem a Dilma Rousseff derrotas vergonhosas no Parlamento, por outro fica claro que o modelo presidencialista brasileiro está à beira da morte. Afinal, se o regime político nacional fosse parlamentarista, a essa altura da crise o governo já estaria dissolvido. Como nossa realidade é distinta, o País poderá sangrar política e economicamente até 31 de dezembro de 2018, quanto termina o atual mandato de Dilma Rousseff. Caso ela não resolva abandonar o cargo por causa da pressão popular.

No momento em que Calheiros e Cunha afirmam, mais uma vez, que caberá ao Congresso dar a última palavra sobre a proposta que regulamenta a troca do indexador das dívidas de Estados e municípios com a União, fica claro que novas derrotas de Dilma virão pela frente. Sem contar que a dupla também já deixou claro que o pacote de ajuste fiscal, criado pela equipe econômica, só será aprovado se o governo se comportar como manda o figurino político. Ou seja, Dilma tornou-se ainda mais refém do PMDB, que na voz de Renan Calheiros exige a imediata redução do número de ministérios, como se a legenda aceitasse perder as seis pastas que comanda atualmente.

Está evidente que Dilma não terá vida fácil e que sua situação piora a cada decisão estapafúrdia na seara política. Ex-presidente da Câmara dos Deputados e derrotado na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves (PMDB) aguardava a divulgação da fatídica lista de Rodrigo Janot (procurador-geral da República), com os nomes dos políticos envolvidos no Petrolão, para cobrar da presidente um cargo no primeiro escalão do governo.

A lista de Janot foi divulgada há duas semanas e o nome de Henrique Alves não foi arrastado para o olho do furacão em que se transformou o escândalo de corrupção que derreteu os cofres da Petrobras. Com isso, Alves voltou a ser ministeriável. Há dias, Dilma disse, no vácuo da demissão de Cid Gomes, que não haveria reforma ministerial no curto prazo, mas o que a presidente fala não tem credibilidade.

No embalo desse bambolê discursivo da presidente da República, o governo se prepara para instalar Henrique Eduardo Alves em algum ministério, como forma de amainar as relações do Palácio do Planalto com o PMDB. Acontece que Dilma pretende entregar a Henrique Alves o Ministério do Turismo, que na opinião de peemedebistas com quem conversou o UCHO.INFO é muito pouco para quem foi presidente da Câmara dos Deputados e auxiliou Dilma em seu primeiro mandato.

A melhor saída nesse caso seria despejar o ministro Pepe Vargas da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, entregando o cargo a Alves, que tem bom trânsito no Parlamento. Essa estratégia permitira ao governo “matar dois coelhos com uma só cajadada”, já que Henrique Alves será contemplado com cargo de prestígio e resolveria os problemas de relacionamento do governo com o Congresso, algo que vários ministros, conjuntamente, não têm conseguido.

A segunda solução, um pouco mais trabalhosa, seria tirar Aloizio Mercadante da Casa Civil e andá-lo de volta para o Ministério da Educação, cujo comando está vago desde a saída de Cid Gomes. Com isso Dilma poderia guindar Henrique Alves ao cargo, ou, então, remover para o petista baiano Jaques Wagner para a Casa Civil e colocando o ex-presidente da Câmara à frente do Ministério da Defesa.

Considerando que Dilma Rousseff não quer ceder à pressão do antecessor, o agora lobista Lula, que cobra a cabeça de Aloizio Mercadante, a crise político-institucional que balança o governo tende a piorar com o passar do tempo. E simultaneamente a presidente será transformada em marionete de luxo do PMDB, que está de olho em 2018, com Eduardo Cunha se apresentando como pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto.

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