Lula adia decisão sobre ministério, mas delação de Delcídio colocou o petista mais perto de Sérgio Moro

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Após quatro horas e meia de reunião do Palácio da Alvorada, a presidente Dilma Rousseff e o petista Lula não chegaram a uma definição sobre o ingresso do lobista-palestrante no governo na condição de ministro (Secretaria de Governo ou Casa Civil). A decisão foi adiada para a manhã desta quarta-feira (16), em encontro entre ambos no Palácio da Alvorada.

Lula finge que ainda não decidiu se aceita o convite feito por Dilma, mas na verdade o ex-metalúrgico estaria exigindo o cargo por meio de interlocutores, que pressionam a presidente da República para que a definição seja rápida.

A ideia “vendida” à opinião pública é que Lula, como ministro, teria condições de barrar o processo de impeachment que está parado na Câmara dos Deputados à espera de uma decisão do STF sobre o rito do mesmo. Na verdade, a eventual ida de Lula a algum ministério serviria apenas e tão somente para, em tese, blindá-lo com o chamado foro privilegiado, o que faria com que as investigações sobre o petista na Operação Lava-Jato passassem para a responsabilidade do Supremo.

Acontece que o Supremo Tribunal Federal pode decidir contra essa manobra e espúria que vem sendo arquitetada pelo PT, a mando de Lula. O ex-presidente quer não apenas o cargo, mas “carta branca” de Dilma para mandar à vontade no governo, com direito a fazer mudanças na política econômica e substituição de ministros. O que em outras palavras significa que Dilma está encerrando precocemente o seu segundo mandato, dando a Lula a chance de iniciar o seu terceiro mandato, sem ter sido eleito para tanto.

Lula abe que se ficar longe de um cargo na Esplanada dos Ministérios continuará na mira do juiz federal Sérgio Moro, responsável na primeira instância do Judiciário pelos processos de correntes da Operação Lava-Jato. Por ouro lado, o ex-presidente sabe que mesmo sendo guindado ao cargo de ministro de Estado, sua mulher, Marisa Letícia, e os filhos do casal continuarão respondendo a Moro pelos crimes cometidos no âmbito da Lava-Jato.

A decisão de Lula de retomar com mais ênfase o convite (sic) para ser ministro se deu no rastro da decisão da juíza da 4ª Vara Criminal do Fórum da Barrar Funda, Zona Oeste da capital paulista, de enviar ao juiz Sérgio Moro o processo sobre o polêmico apartamento triplex em Guarujá. No processo há um pedido de prisão preventiva de Lula formulado pelos promotores do Ministério Público de São Paulo, que denunciaram o petista por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.


A situação de Lula piorou muito nas últimas horas, depois que o STF homologou a delação premiada do senador Delcídio Amaral (MS). Preso na Lava-Jato por tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró, que selou acordo de colaboração premiada, Delcídio relatou aos procuradores detalhes sobre o sítio em Atibaia, do qual Lula continua negando ser o verdadeiro dono.

Procuradores e investigadores suspeitam que o sítio pertence a Lula, mesmo estando registrado no nome de terceiro. Delcídio, que foi chamado de “idiota” pelo ex-presidente, deu detalhes importantes que podem levar os investigadores a decifrarem o mistério que ronda o imóvel rural no qual Lula esteve 111 vezes desde que deixou o Palácio do Planalto.

Delcídio disse aos delatores que pessoas próximas ao ex-metalúrgico sempre faziam referência à propriedade como “sítio do Lula”. Segundo o delator, o pecuarista José Carlos Bumlai, preso na Lava-Jato, e Zeca do PT (amigo do ex-presidente e ex-governador de Mato Grosso do Sul) sempre relatavam os finais de semana no “sítio do Lula”.

Esse detalhe da delação de Delcídio coloca Lula em situação de não poder recuar do cargo de ministro de Estado, caso queira escapar do radar de Sérgio Moro. Para tanto, precisa saber se o PMDB, maior partido da base aliada, manterá o apoio ao governo depois da perpetração do escandaloso golpe.

A grande questão é que o PMDB, que adiou por um mês a decisão sobre eventual desembarque do governo, jamais esteve tão perto de ocupar o principal gabinete do Palácio do Planalto. Sem contar que boa parte dos peemedebistas defende um rompimento imediato com Dilma. Se isso acontecer, Lula terá de voltar a São Bernardo do Campo como reles cidadão e esperar a chegada do “Japonês da Federal”.

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