FMI afirma que Brasil está saindo do fundo do poço e prevê recessão de 3,3% em 2016

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Nesta terça-feira (4), o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou seu Panorama da Economia Mundial, mantendo as previsões que havia feito em julho para o país: recessão de 3,3% neste ano e crescimento de 0,5% em 2017. O Fundo afirma que o Brasil, juntamente com a Rússia, enfrenta “condições macroeconômicas desafiadoras”.

O FMI, que realiza esta semana seu encontro de outono (no Hemisfério Norte), ressalta que as perspectivas estão melhores que em abril, última reunião da entidade.

“Na América Latina, a economia do Brasil segue em recessão, mas a atividade parece estar perto de sair do fundo do poço, depois dos efeitos dos choques — da queda dos preços das commodities (matérias-primas com cotação global, como soja, minério de ferro e petróleo), o ajuste nos preços administrados em 2015 e das incertezas políticas — desaparecer”, destaca o documento do Fundo.

O relatório ainda ressalta que no Brasil existe “uma necessidade prioritária para aumentar a confiança e aumentar o investimento”, com a adoção de uma estabilidade política após a transição do governo.

O FMI voltou a afirmar que apoia a adoção da regra que cria um teto para os gastos públicos, mas lembra que o país ainda precisa reformar seu sistema tributário, reduzir a barreira ao livre comércio e combater as deficiências na infraestrutura.


O Fundo Monetário Internacional também previu que a inflação terminará 2016 em 7,2%, muito próximo da previsão do mercado financeiro brasileiro, que segundo o apurado pela pesquisa Focus, do Banco Central, será de 7,23%.

Para o próximo ano as previsões de inflação também se aproximam: 5% para o FMI e 5,07% de acordo com a mais recente edição do Boletim Focus, do Banco Central. O organismo multilateral ainda prevê que a taxa de desemprego fique em 11,2% neste ano e em 11,5% em 2017.

O Fundo não mudou suas previsões para o conjunto da economia global: avanço de 3,1% neste ano e de 3,4% em 2017. Contudo, o documento elevou um pouco a previsão de crescimento para os países emergentes neste ano.

A expectativa para o avanço da China se manteve em 6,6% neste ano, na comparação com as previsões de julho, porém houve leve melhora na Índia (agora com previsão de crescimento de 7,6%, alta de 0,2 ponto percentual) e retração para Rússia e Brasil, porém, em patamar melhor que o previsto em abril, quando o Fundo se reuniu pela última vez. A Rússia deverá ter recessão de 0,8% neste ano (contra previsão de queda de 1,8% feita há seis meses).

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