Moro dá 48 horas para Lula entregar recibos originais de aluguel, mas documentos exalam olor de farsa

(Divulgação)

Responsável na primeira instância da Justiça Federal por muitos dos processos decorrentes da Operação Lava-jato, o juiz Sério Moro concedeu prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Lula, o alarife do Petrolão, apresente os recibos originais referentes aos pagamentos mensais do aluguel de apartamento contíguo ao do petista, em São Bernardo do Campo.

O advogado Cristiano Zanin Martins, que participa da milionária defesa do ex-metalúrgico, disse que, adotando as “cautelas cabíveis” entregará à Justiça os documentos solicitados e “no prazo assinalado”. Os defensores de Lula, a mando do cliente, engrossam o discurso rasteiro de que o juiz e os investigadores da Lava-Jato tentam acusá-lo sem as devidas provas, o que não é verdade. Essa cantilena de encomenda tem por objetivo “vender” à parcela desavisada da opinião a ideia de que querem inviabilizar a candidatura de Lula.

Independentemente da prometida entrega dos recibos originais, é importante ressaltar que o contador João Muniz Leite visitou duas vezes Glaucos da Costamarques, no período em que o empresário estava internado no Hospital Sírio-Libanês. A pedido do juiz Sérgio Moro, o hospital entregou à Justiça os registros das visitas de Muniz Leite, que foi ao local sob orientação do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula.

As idas de João Muniz Leite ao Sírio-Libanês ocorreram logo após a prisão, no âmbito da Lava-Jato, do pecuarista José Carlos Bumlai, primo de Costamarques e “laranja” de Lula. A decisão de colher as assinaturas de Glaucos nos recibos produzidos às pressas se deveu à possibilidade de Bumlai soltar a voz durante sua estada atrás das grades.

Lula jamais pagou o referido aluguel, pois, de acordo com as investigações, o imóvel em questão foi adquirido pela Odebrecht em favor de Lula, como parte de pagamento de propinas no escopo de contratos com a Petrobras. A preocupação com a suposta locação do imóvel era tamanha, que dois dos 26 recibos apresentam datas que simplesmente não existem no calendário cristão.


Por outro lado, Glaucos da Costamarques, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, em 6 de setembro passado, afirmou, de forma reiterada, que entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015 não recebeu qualquer valor referente ao aluguel do apartamento 121 do Edifício Hill House, em São Bernardo do Campo. Mesmo assim, segundo suas próprias palavras, o empresário disse ter declarado à Receita Federal o recebimento dos valores.

Ora, se uma pessoa não recebe determinado valor e declara ao Leão o recebimento do mesmo, está-se diante de fraude fiscal, que de alguma maneira configura crime. No contraponto, a simples entrega dos recibos à Justiça não significa que os documentos são verdadeiros. Na opinião do UCHO.INFO, esse episódio é mais uma tremenda farsa arquitetada por Lula e seus advogados.

Faz-se necessário ressaltar que o advogado Roberto Teixeira sempre esteve à frente das negociações imobiliárias envolvendo Lula. Teixeira orientou a farsa sobre o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no interior de São Paulo, imóvel registrado oficialmente em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna Filho, ambos sócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O advogado e dublê de compadre esteve à frente da compra do apartamento em que Lula mora há anos, adquirido de maneira rocambolesca em operação envolvendo Antonio Celso Cipriani, ex-agente do DOPS e ex-presidente da falida Transbrasil.

A defesa de Lula tem um problema maior a resolver, que não termina com a entrega dos recibos originais. Se os alugueis foram realmente pagos, Lula e seus prepostos precisam apresentar os respectivos depósitos bancários feitos durante o período em questão. Até porque, nos dias atuais, em que a insegurança reina solta em todo o País, ninguém circula com dinheiro vivo para correr riscos. Considerando que a defesa poderá alegar que os pagamentos foram feitos em dinheiro vivo, Lula terá de provar a origem dos recursos.

A essa altura dos acontecimentos, com as investigações em estágio muito avançado, de nada adiantará responsabilizar a ex-primeira-dama Marisa Letícia, falecida em fevereiro passado, pelo malfeito. Afinal, durante operação de busca e apreensão no apartamento de Lula, policiais recolheram planilhas de despesas mensais do casal, nas quais não constavam valores referentes ao pagamento mensal do aluguel do apartamento vizinho.

apoio_04