
Em mais um período eleitoral marcado por polarização político-ideológica, cenário que corrói a paciência do eleitor, escândalos e polêmicas eclodem a todo instante. Ora alvejando um lado, ora outro.
Em meio a tantos causos, os prejudicados tentam minimizar o estrago, quando, na verdade, deveriam transferir a responsabilidade a quem de fato criou o problema. Mesmo assim, os prejudicados têm de lidar com os efeitos colaterais das confusões criadas por terceiros, adotando cautela ao tentar sair da linha de tiro.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu dois erros desnecessários ao sair em defesa de companheiros. O primeiro aconteceu ao defender o senador Jaques Wagner (PT-BA), acusado de receber valores benesses do ex-sócio de Daniel Vorcaro no liquidado Banco Master.
Jaques Wagner e o Master
O governo Lula e o PT estavam ao largo do escândalo do Banco Master, mas Jaques Wagner tratou de colocá-los no olho do furacão. Além disso, o Palácio do Planalto demorou demais para despejar Wagner da liderança do governo no Senado.
De acordo com o senador baiano, Lula lhe disse: “Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo”, em clara demonstração de tranquilidade sobre as acusações imputadas ao companheiro de legenda.
O patrimônio de Jaques Wagner cresceu 631% nos últimos oito anos, desde que o petista concorreu ao Senado. Em declaração entregue à Justiça Eleitoral, o Wagner informou ter R$ 24,5 milhões em bens, aumento expressivo se comparado a 2018, quando declarou R$ 3,3 milhões.
Não bastasse, no último sábado, 1º de agosto, Lula foi à Bahia para participar de evento partidário, ocasião em que pediu voto para Wagner e Rui Costa, que concorrem a duas vagas no Senado.

Na atividade política, um dos principais ingredientes é o risco calculado, sem o qual tudo pode ruir a qualquer momento. Sair em defesa de Jaques Wagner foi um “tiro no pé”, mas, além disso, forneceu munição para o oponente Flávio Bolsonaro, que admitiu publicamente ter recebido R$ 61 milhões de Vorcaro para, alegou o senador, custear o filme panfletário sobre seu pai, o golpista condenado e preso Jair Bolsonaro.
“O PT da Bahia acaba de ser incluído pela Polícia Federal na operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida”, disse Flávio.
Marcola e empréstimo
O segundo erro de Lula foi sair em defesa do ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro Santana, conhecido como “Marcola”, que de acordo com investigações da Polícia Federal recebeu R$ 249 mil, a título de empréstimo, da empresária e lobista Roberta Moreira Luchsinger, investigada no âmbito do escândalo do INSS.
Luchsinger é próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também investigado pela PF por suposta relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”.
Marcola, que deixou a chefia do gabinete presidencial em julho passado para integrar a equipe de campanha de Lula, argumentou que o empréstimo já foi devidamente quitado, mas até o momento não apresentou os respectivos recibos de pagamento.
No primeiro momento, Lula afirmou que o ex-assessor teria de explicar o rumoroso e canhestro empréstimo, que, na opinião do UCHO.INFO, jamais deveria ter sido solicitado ou concedido.
Na sequência, o presidente aguardou a decisão de Marcola de deixar a equipe de campanha, algo que deveria ter ocorrido de forma imediata. Inobstante, Lula, em reunião com assessores e aliados, no Palácio do Planalto, indagou: “quem nunca pediu um empréstimo?”.
Empréstimo dessa monta costuma-se pedir a instituições financeiras, não a pessoas conhecidas ou amigas, como alegou Marcola. O caso em questão tem contornos inexplicáveis, mas o presidente Lula prefere defender o que por enquanto é indefensável. Afinal, Marcola ainda não apresentou uma só prova de quitação do empréstimo.
Diz a lenda: quem tem amigos desconhece o significado de desespero.



