Flávio Bolsonaro mostra ao País que, com ou sem “rachadinha”, o milagre da multiplicação continua

 
Quando o UCHO.INFO, na campanha presidencial de 2018, afirmou que Jair Bolsonaro era “mais do mesmo” e que sua eleição representaria enorme perigo ao País, incautos e descontrolados, movidos pelo discurso do ódio, passaram a nos atacar de maneira sórdida e rasteira, como se nossa experiência no jornalismo político fosse insuficiente para que fizéssemos tal previsão. Senhor da razão, o tempo passou e comprovou em inúmeras ocasiões que estávamos certos.

O mais novo imbróglio a tirar o sono dos ocupantes do Palácio do Planalto envolve o senador Flávio Bolsonaro, o filho “01” do presidente da República. Representante do Rio de Janeiro no Senado Federal, Flávio comprou mansão em Brasília, mais precisamente no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da capital federal, pela quantia de R$ 5,97 milhões.

De acordo com o site “O Antagonista”, o senador pelo Republicanos pagou R$ 2,87 milhões à vista, sendo que o restante (R$ 3,1 milhões) foi financiado pelo Banco Regional de Brasília (BRB) em condições especialíssimas, considerando as taxas de juro cobradas de cidadãos comuns.

De acordo com o contrato de financiamento, Flávio Bolsonaro pagará o empréstimo em 360 parcelas, com taxas de juro entre 3,65% a 4,85% ao ano, sendo que as prestações com valores mais altas serão pagas primeiro, ficando as mais baratas para o final.

Há nesse episódio mais uma evidência de que o senador fluminense tornou-se especialista no milagre da multiplicação das cédulas. Nas eleições de 2018, Flávio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ser dono de patrimônio de R$ 1,74 milhão, incluindo um apartamento residencial na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (R$ 917 mil), uma sala comercial no mesmo bairro (R$ 150 mil), 50% de participação da empresa Bolsotini Chocolates (franquia da Kopenhagen, de R$ 50 mil), um veículo Volvo XC de R$ 66,5 mil e aplicações e investimentos que somavam R$ 558,2 mil.

 
Questionado sobre a compra da mansão, Flávio Bolsonaro alegou que o valor da entrada foi pago com recursos provenientes da venda de um imóvel no Rio de Janeiro. Ora, se em 2018 o patrimônio do filho do presidente da República era de R$ 1,74 milhão, alguém precisa revelar essa milagrosa receita que multiplica o valor dos bens em curto espaço de tempo. O mercado imobiliário brasileiro está a andar de lado há muito tempo, mas o senador consegue a proeza de vender suas propriedades com estranha facilidade e rapidez, sempre por preços muito acima da média.

Acusado de comandar o criminoso esquema das “rachadinhas” em seu então gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), entre os anos de 2007 e 2018, Flávio foi denunciado em novembro de 2020 pela Ministério Público fluminense sob a acusação dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa, em razão do suposto desvio de R$ 6,1 milhões, por meio de uma dúzia de funcionários fantasmas.

Recentemente, o senador do Republicanos encerrou as atividades da loja franqueada de chocolates, que mantinha com um sócio em shopping center do Rio de Janeiro. Investigadores suspeitam que a tal loja era utilizada para lavar o dinheiro das “rachadinhas”.

O salário bruto de um senador da República é de R$ 33.763,00, que após os devidos descontos cai para R$ 24,9 mil. De acordo com o simulador de financiamento do BRB, o valor da primeira parcela ficaria entre R$ 18.738,94 e R$ 18.574,47, a depender da seguradora escolhida para garantir a operação financeira. Um financiamento no valor de R$ 3,1 milhões, como o contraído pelo senador, com o mesmo prazo de pagamento, exige renda líquida de R$ 46,8 mil. Ou seja, quase o dobro do valor líquido que Senado Federal deposita na conta de Flávio Bolsonaro.

Além disso, chama a atenção o fato de o prazo do financiamento ser de 360 meses, ou seja, trinta anos. Tomando por base que o BRB, no momento da concessão do crédito, considerou o salário de Flávio Bolsonaro como senador, o filho do presidente da República, para atender às exigências da instituição financeira e aos termos contratuais do financiamento, terá de se reeleger mais quatro vezes. Em caso de não reeleição, Flávio estará desempregado, pois o clã Bolsonaro não sabe fazer outra coisa, que não viver às custas do dinheiro público.

Porém, tudo isso não passa de mera conjectura, pois na corrida presidencial Jair Bolsonaro prometeu a seus apoiadores “o fim da mamata”. Em 2019, o presidente, quando tentava emplacar o filho Eduardo como embaixador nos Estados Unidos, disparou a pérola “se eu puder dar o filé mignon para o meu filho, eu dou”. Está explicado!

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