Bolsonaro disse que Nise Yamaguchi foi alvo de tortura na CPI da Covid, mas ataca e ofende jornalistas

 
A postura dual e incoerente do governo de Jair Bolsonaro chega a provocar engulhos, além de ser uma afronta ao bom-senso. Há dias, após protagonizar depoimento mitômano e vexaminoso à CPI da Covid, a média Nise Yamaguchi decidiu acionar a Justiça contra os senadores Omaz Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, e Otto Alencar (PSD-BA), alegando que desrespeito e misoginia por parte dos parlamentares.

Yamaguchi, que integra o gabinete paralelo que aconselhou Bolsonaro em relação ao enfrentamento da pandemia, é defensora do uso do chamado tratamento precoce, que consiste no uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

A médica, que imaginou ser possível ludibriar os integrantes da CPI com sua fala mansa e visguenta, acabou confrontada com declarações absurdas, como, por exemplo, a imunidade de rebanho natural, alcançada com a infecção do maior número de pessoas. Além disso, Yamaguchi teve dificuldades para reconhecer a diferença entre vírus e protozoário.

A médica oncologista cobra na Justiça indenização de R$ 320 mil por ter sofrido, segundo ela, “humilhação” e “desrespeito”. “São notórios e de conhecimento nacional o desrespeito e a humilhação por mim sofridos durante o depoimento prestado à CPI da pandemia no Senado Federal no dia 1º de junho de 2021”, afirmou Nise em carta.

“Por diversas vezes, tive minhas falas e raciocínios interrompidos. Ignoraram meus argumentos e atribuíram a mim palavras que não pronunciei. Não foi por falta de conhecimento que deixei de reagir, mas, sim, por educação. Não iria alterar a minha essência para atender a nítidos interesses políticos”, destacou a médica.

 
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Bolsonaro, que não poderia reagir de forma diferente, disse que a oncologista, ao depor na CPI da Covid, foi vítima de um tribunal de exceção. “Minha solidariedade à Dra Nise, médica e cientista com extenso currículo, que participou de um verdadeiro tribunal de exceção. É inadmissível que profissionais de saúde sejam tratados de forma tão covarde!”, escreveu o presidente em rede social.

Há nesse ponto uma incontestável contradição, pois Nise Yamaguchi comparou, em julho de 2020, o medo da pandemia ao sentimento das vítimas do Holocausto, declaração que rendeu seu afastamento do Hospital Israelita Albert Einstein.

“O medo é prejudicial para tudo (…). Te paralisa, te deixa massa de manobra. Você acha que alguns poucos militares nazistas conseguiriam controlar aquela massa de rebanho de judeus famintos se não os submetessem diariamente a humilhações, humilhações, humilhações, tirando deles todas as iniciativas? Quando você tem medo fica submisso a situações terríveis”, disse Yamaguchi.

Enquanto tenta defender os sabujos que lhe prestam obediência ideológica e são desmascarados seguidamente por fatos e provas, Bolsonaro acredita ser normal atacar e ofender profissionais da imprensa que, no exercício da profissão, questionam suas bizarrices. Foi o que aconteceu na segunda-feira (21), na cidade de Guaratinguetá, no interior paulista, onde chamou uma jornalista de “canalha” e mandou-a “calar a boca”.

Apenas a titulo de informação, levantamento da ONG “Repórteres Sem Fronteiras” apontou que ao longo de 2020 a família Bolsonaro patrocinou 469 ataques a jornalistas e veículos de imprensa, como se no Brasil o exercício do jornalismo fosse crime.

É preciso que a sociedade reaja com urgência e firmeza contra o atual estado de coisas, pois ainda há de tempo de conter a escalada autoritária que ameaça diuturnamente a democracia e o Estado de Direito.

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