Eduardo Bolsonaro empresta o “coitadismo” do pai e diz duvidar da tortura sofrida por Míriam Leitão

 
Reza a sabedoria popular que “o fruto não cai longe da árvore”. Transportando o conceito para a família Bolsonaro, filho de defensor de torturadores é defensor de torturadores. Isso explica, mas não justifica, a fala torpe e covarde do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a tortura sofrida pela jornalista Míriam Leitão durante a ditadura militar.

Depois de debochar do calvário enfrentado pela jornalista e ser alvo de uma enxurrada de críticas, Eduardo Bolsonaro agora tenta sair do episódio na condição de vítima, tática que certamente aprendeu com o pai, o presidente Jair Bolsonaro, um adepto confesso e incorrigível do “coitadismo”.

A delinquência intelectual do parlamentar é tão devastadora, que ele teve a ousadia de afirmar que Míriam Leitão não se sentiu ofendida com o deboche.

“A Miriam Leitão certamente não se sentiu ofendida, ela só tem a palavra dela, dizendo que foi vítima de uma tortura psicológica quando foi jogada dentro de uma cela junto com uma cobra. Eu já fico com a pulga atrás da orelha, porque você não tem um vídeo, não tem outras testemunhas, não tem uma prova documental, não tem absolutamente nada”, disse o deputado nesta terça-feira (5) em entrevista ao canal Expressão Brasil, no Youtube.

Eduardo Bolsonaro afirmou que é “vítima do patrulhamento do politicamente correto”. “O politicamente correto não é sobre o que se fala, mas sim sobre quem fala”, argumentando que o ex-presidente Lula não é alcançado por “notas de repúdio de movimentos sociais”.

De acordo com o parlamentar, há uma tentativa da esquerda de silenciar os adversários políticos, porque “se tivermos espaço para falar, vamos simplesmente ganhar todos os debates”.

 
O pensamento desse grupelho que chafurda no cocho do extremismo direitista ultrapassa o limite do aceitável, principalmente quando alguém arrisca afirmar que debaixo da torpeza são capazes de vencer debates. Não têm neurônios suficientes para entabular uma reles ideia, mas posam como últimos gênios da raça.

No último domingo (3), em postagem no Twitter, Eduardo Bolsonaro afirmou ter “pena da cobra” usada para torturar psicologicamente a jornalista. Miriam Leitão foi presa durante a ditadura militar e torturada com tapas, chutes e golpes que abriram sua cabeça. Além disso, teve de ficar nua em frente a dez soldados e três agentes de repressão e passar horas trancada em uma sala com uma jiboia.

É importante lembrar que o presidente Jair Bolsonaro, enquanto deputado federal, exaltou a memória do “torturador-geral da República”, Carlos Alberto Brilhante Ustra, o facínora do DOI-Codi, ao proferir no plenário da Câmara dos Deputados voto a favor da cassação da então presidente Dilma Rousseff.

Em outro momento, já como chefe do Executivo, Bolsonaro zombou de Fernando Santa Cruz, pai do ex-presidente nacional da OAB, morto durante a ditadura militar.

Essas declarações criminosas, que transcendem o direito à livre manifestação do pensamento e atentam contra a democracia, talvez expliquem o fato de o clã presidencial não ter feito defesa ferrenha do medicamento ivermectina durante a pandemia de Covid-19 (ineficaz no combate à doença), como aconteceu em relação à hidroxicloroquina.

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