Salário mínimo de R$ 1.212 é aprovado no Congresso; relatora diz que valor é “ilusão para o povo brasileiro”

 
O fracasso da política econômica do governo, alvo de seguidas críticas do UCHO.INFO, foi reconhecido nesta quinta-feira (26) por uma senadora bolsonarista durante aprovação da Medida Provisória que fixou em R$ 1.212,00 o valor do salário mínimo, em vigor desde janeiro.

Relatora da MP, a senadora Soraya Thronicke (União Brasil – MS) afirmou que seu relatório defendendo o valor proposto pelo governo é uma “mentira”, uma “ilusão para o povo brasileiro”. Apesar do forte discurso no plenário do Senado, Thronicke rejeitou emendas que propunham valor maior.

Anteriormente aprovada pela Câmara dos Deputados, a MP teve aprovação simbólica por parte dos senadores e segue para promulgação.

Ao apresentar o relatório, Soraya Thronicke leu o trecho da Constituição Federal que trata do salário mínimo. De acordo com a Carta Magna de 1988, a remuneração deve atender às necessidades básicas com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com os necessários reajustes para preservar o poder de compra do trabalhador.

“E aí é muito lindo no papel. Por isso, mais uma vez, eu estou constrangida, porque é tão bonita [a Constituição] e esse salário mínimo que temos que aprovar não assegura nada disso. Portanto, é uma falácia, não é nada disso. O que eu estou lendo aqui é uma verdadeira mentira, uma ilusão para o povo brasileiro”, afirmou a parlamentar.

Para justificar a recusa das emendas para majorar o valor do salário, a senadora alegou que cada R$ 1 de aumento implica em quase R$ 365 milhões de impacto no Orçamento da União, somente com benefícios previdenciários e assistenciais.

 
“O salário mínimo, quando aumenta um real, o impacto é tão grande para quem paga e para o Estado, e de verdade não chega líquido no bolso do brasileiro. Não é somente a questão do salário mínimo, do valor dele. É triste chegar com esse discurso técnico, cheio de siglas e não ter nada de concreto, de bom para entregar para a população brasileira”, disse.

Sem mencionar o presidente da República, a senadora Soraya Thronicke criticou o que classificou como “cortina de fumaça” para desviar o foco da tragédia econômica e social que acomete o País. A parlamentar afirmou que as pessoas dão importância a “bobagens” e a “problemas que não vão colocar alimentos na mesa dos brasileiros”.

Thronicke reforçou suas críticas destacando que o valor médio da cesta básica em 2019 era de R$ 482, mas agora custa R$ 715.

Para comprovar a extensão da crise econômica que o ministro Paulo Guedes finge ignorar, o salário mínimo ideal, com base no texto constitucional e de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), deveria ser de R$ 6.754,33 em abril, ou seja, mais de cinco vezes o valor da remuneração básica vigente.

Apresentado ao eleitorado, em 2018, como “Posto Ipiranga”, Guedes tem consciência de que a política econômica é monumental fracasso, mas insiste em terceirizar a responsabilidade pelo caos e na busca de justificativas estapafúrdias.

Considerando que dois terços da mão de obra brasileira recebem menos de dois salários mínimos mensais, falar em recuperação econômica é absurdo discursivo que serve como anestésico para a consciência do cidadão. Não por acaso, o presidente Jair Bolsonaro preocupa-se cada vez mais com a possibilidade de tropeças nas urnas.