Governo de SP sempre ignorou a ação do tráfico na Baixada Santista, agora mata para mostrar serviço

 
A Operação Escudo, deflagrada pela Política Militar de São Paulo na Baixada Santista após a morte de um PM, durante patrulhamento na cidade de Guarujá, já deixou 16 mortos, além de dezenas de presos e apreensão de meia tonelada de drogas.

O governador Tarcísio de Freitas, um turista acidental em São Paulo, e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, justificam a ação com o discurso visguento de que é preciso enfrentar o crime organizado e os traficantes que dominam a região.

Tarcísio e Derrite podem adotar qualquer discurso, mas quem conhece a realidade de Baixada Santista sabe que a truculenta operação policial foi mera vingança. Nos bastidores da polícia paulista é voz corrente que a cada policial morto os agentes de segurança prometem matar ao menos dez criminosos. Derrite, que é ex-comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa que atuou no massacre de Guarujá, é a favor da matança.

A grande imprensa, principalmente a parcela que se dedica ao noticiário policialesco e aposta no chamado “mundo cão”, não ousou até o momento divulgar a realidade. Talvez aja dessa forma porque é mais conveniente manter boas relações com as autoridades de segurança e preservar as fontes de informações, que normalmente fecham as portas quando questionadas sobre temas polêmicos.

Fazer jornalismo à base do compadrio, abrindo espaço na imprensa a quem ignora os direitos humanos e aposta na execução sumária de inocentes, sob a alegação de confrontos com policiais, é fácil.

 
A justificativa apresentada pelo governo de São Paulo de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) domina o tráfico de drogas na região é assunto antigo e vencido, pois a facção há muito dita as ordens na região, de onde são exportadas anualmente enormes quantidades de pasta base de cocaína vindas da Bolívia e da Colômbia.

A ação deliberada das facções criminosas acontece com a conivência de algumas autoridades de segurança, muitas das quais são agraciadas pelos líderes do tráfico, em alguns casos com pagamentos mensais de polpudas propinas. Afinal, o tráfico de cocaína é altamente rentável.

Na hierarquia do tráfico de drogas, os que foram mortos pela PM são “peixes pequenos”, se comparados aos verdadeiros donos do negócio criminoso. A polícia não arrisca incomodar os “tubarões”, que mandam e desmandam na Baixada Santista, principalmente em Guarujá, refúgio de traficantes internacionais procurados por diversos países.

A cidade que já foi chamada de “pérola do Atlântico” é endereço de graduados integrantes da organização mafiosa italiana ‘Ndrangheta, que se especializou no tráfico internacional de drogas. Esses criminosos transnacionais usam a margem esquerda do Porto de Santos para despachar cocaína.

Há dias, ao rebater a acusação de que houve excesso na ação policial em Guarujá, Tarcísio disse: “Não vamos nos curvar ao crime”. Se a ordem do governo de Tarcísio de Freitas é enfrentar o crime organizado, independentemente da morte de um policial, que a ação comece pela maior cidade brasileira.

Na cidade de São Paulo, cuja segurança é obrigação do governo estadual, facções criminosas controlam diversas empresas de ônibus, mas a Prefeitura da capital prefere fingir que desconhece o assunto. Dificilmente acontecerá qualquer investida contra essas empresas, pois as facções abastecem os cofres de alguns políticos influentes. Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, abater a “galinha dos ovos de ouro” não é conveniente.


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