
Nesta terça-feira (14), durante entrevista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou da recente parceria entre Brasil e Estados Unidos para combater o tráfico internacional de armas e drogas. Na ocasião, Lula comentou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo serviço de imigração e alfândega estadunidense (U.S. Immigration and Customs Enforcement).
“O Ramagem acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso por uma multazinha [de trânsito], mas não. Ele foi preso, ele já estava condenado a 16 anos nesse país [Brasil], ele foi um golpista que está condenado. Ele tem que voltar para o Brasil para cumprir a sua pena”, declarou Lula.
A Polícia Federal (PF) informou, em nota, que a prisão de Ramagem decorreu “de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”. O ex-deputado e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi detido na cidade de Orlando, no estado da Flórida.
Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.
Proibido de deixar o país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido. O nome de Ramagem constava na lista de foragidos procurados da Interpol.

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Monitoramento
Em 27 de novembro do ano passado, Rebeca viajou aos EUA com as duas filhas e dezenas de malas. Até então, a PF desconhecia o paradeiro de Ramagem, que havia deixado o Brasil em 11 de setembro.
No embarque, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, as bagagens foram revistadas e o celular de Rebeca apreendido. Durante a inspeção, os agentes constataram que ao menos cinco malas continham roupas de Ramagem, o que levou ao monitoramento da chegada dela à Flórida e, posteriormente, à localização do ex-deputado.
“Fui surpreendida, na entrada da aeronave, por um mandado de busca pessoal expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Durante o procedimento, tivemos todas as nossas malas retiradas do voo e revistadas, além de apreenderem meu celular, computadores e outros itens”, escreveu Rebeca, à época, nas redes sociais.
Rebeca seguiu viagem aos Estados Unidos com as malas, pois não foi identificada qualquer irregularidade. Tão logo ela desembarcou, a Polícia Federal, por meio do oficial de ligação, passou a monitorar seus deslocamentos no país. Foi a partir dessa etapa que o veículo que buscou Rebeca e as filhas no aeroporto entrou no radar dos investigadores.
A PF passou a monitorar o veículo em uma espécie de “campana”, com agentes em observação discreta. As informações obtidas eram encaminhadas às autoridades norte-americanas.
Ciente de que era considerado foragido e seu passaporte diplomático fora cancelado, Alexandre Ramagem deveria ter orientado a esposa quanto aos procedimentos da viagem. Para quem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a sequência de fatos acima aponta para o amadorismo de Ramagem.





