Morre, aos 87 anos, Ted Turner, fundador da emissora CNN

O empresário americano Ted Turner, fundador da CNN, morreu nesta quarta-feira (6), aos 87 anos, informou a emissora. Nascido em 1938 em Cincinnati, Turner revolucionou o panorama informativo mundial com o lançamento, em 1980, do primeiro canal de notícias 24 horas por dia.

Além disso, construiu um influente império de mídia que incluiu canais como TBS e TNT, transformando a CNN em referência internacional.

O projeto mais emblemático de Turner, a CNN, assumiu um papel central na cobertura de todos os tipos de eventos globais, desde conflitos e guerras até eleições presidenciais e catástrofes naturais, consolidando o conceito de informação em tempo real em escala mundial, que o próprio Turner descreveu como “a maior conquista de sua vida”.

Não foi divulgada a causa da morte, mas desde 2018 Turner vinha lutando contra a demência com corpos de Lewy, uma doença neurodegenerativa pouco conhecida.

Esportista e filantropo

Robert Edward “Ted” Turner 3° nunca concluiu seus estudos na Universidade de Brown. Ele passou a assumir os negócios de publicidade da família depois que seu pai tirou a própria vida, devido a problemas financeiros.

Turner comprou inicialmente várias estações de rádio antes de adquirir uma emissora de notícias em dificuldades em Atlanta, em 1970, sua primeira incursão no mundo da televisão.

Ele também foi proprietário do Atlanta Braves, time de beisebol, defendeu a Taça América em vela em 1977 e doou um bilhão de dólares a instituições de caridade da Organização das Nações Unidas. Casou-se três vezes, incluindo com a atriz Jane Fonda.

Em 1991, foi nomeado Pessoa do Ano pela revista Time por sua influência e pelo papel que desempenhou na transformação da comunicação moderna.

Criação da CNN

O feito mais conhecido de Turner foi a criação da Cable News Network (CNN), a primeira cadeia de televisão dedicada exclusivamente a notícias, com transmissão 24 horas por dia, em 1980.

O momento decisivo da emissora ocorreu durante a Guerra do Golfo, em 1991. A maioria dos jornalistas de televisão tinha fugido de Bagdá, alertados sobre um iminente ataque americano. A CNN ficou e captou imagens impressionantes do início da guerra.

Após a venda da empresa jornalística à Time Warner por US$ 7,3 mil bilhões, em 1996, os novos donos prometeram a Turner que o empresário continuaria desempenhando um papel na CNN. O ex-dono, no entanto, foi gradualmente afastado.

“Cometi um erro”, afirmaria ele mais tarde. “O erro que cometi foi perder o controle da empresa”, disse.

Naquele mesmo ano de 1996, Turner assistiu ao nascimento do Fox News Channel e à chegada de um novo magnata dominante no mundo das notícias, Rupert Murdoch.

Ele deixa cinco filhos, 14 netos e dois bisnetos, segundo a CNN.

Mensagem de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, lamentou a morte do fundador da CNN e o elogiou como “um dos maiores de todos os tempos” da radiodifusão. “Ted Turner, um dos maiores de todos os tempos, acaba de falecer”, escreveu Trump no Truth Social.

O republicano lembrou que Turner ficou “pessoalmente devastado” depois de vender a estação, alegando que os novos proprietários “destruíram” a CNN. “Ela tornou-se ‘politicamente correta’, o oposto do que ele defendia”, acrescentou Trump.

Apesar das frequentes divergências políticas entre ambos, o presidente americano descreveu Turner como “um dos grandes nomes da história da radiodifusão” e “um amigo”. “Sempre que precisei dele, ele estava lá, sempre pronto para lutar por uma boa causa”, escreveu Trump.

Durante a campanha presidencial americana de 2016, Turner apoiou publicamente a candidata democrata Hillary Clinton, adversária de Trump.

Na sua mensagem, Trump manifestou esperança de que os futuros proprietários da CNN consigam “restaurar a antiga credibilidade e glória” da estação. A declaração surge semanas depois de os acionistas da Warner Bros. Discovery, grupo que controla a CNN, terem aprovado uma fusão com a Paramount Skydance.

A nova estrutura será liderada por David Ellison, filho do empresário Larry Ellison, conhecido por ser próximo a Trump. A operação ainda depende de aprovação regulatória, mas as empresas esperam concluir a fusão no terceiro trimestre deste ano. (Com agências internacionais)