
Em edição anterior, quando Daniel Vorcaro decidiu trocar de advogado e contratou o criminalista José Luís de Oliveira Lima para comandar sua defesa no âmbito do escândalo do Banco Master e cuidar de eventual acordo de colaboração premiada, o UCHO.INFO afirmou que o agora ex-banqueiro precisava não apenas correr contra o tempo, mas revelar a verdade.
Para fazer tal afirmação consideramos que a extração dedados dos celulares de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal proporcionaria aos investigadores um panorama detalhado da maior fraude bancária da história nacional e o envolvimento de políticos e autoridades no escândalo.
A proposta de acordo de delação foi entregue pela defesa de Vorcaro na quarta-feira (6) ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).Na ocasião, Mendonça já tinha em mãos o relatório da PF que autorizou a deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero.
No documento, a PF deu destaque à relação nada republicana entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), operador do Banco Master no Congresso e alvo de mandado de busca e apreensão, cumprido na manhã desta quinta-feira (7).
Preso em março passado e levado ao complexo penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, Daniel Vorcaro não suportou o cotidiano prisional e requereu sua transferência para a Superintendência da PF em Brasília, na esteira de suposta intenção de detalhar o esquema fraudulento.
Decidido a poupar muitos políticos que gravitaram na órbita do escândalo, Vorcaro propôs um acordo de delação que não convenceu os investigadores e muito menos o ministro André Mendonça, que está disposto a endurecer o tratamento dispensado ao ex-banqueiro e seus advogados.
Diante da inconsistência da proposta de delação, o ministro do STF já sinalizou que não homologará o acordo e tampouco discutirá eventuais benefícios. A situação de Vorcaro piorou sobremaneira nas últimas horas, a ponto de seu retornou à Penitenciária da Papuda ter entrado no radar.
Caso ainda mantenha o desejo de liberdade, Daniel Vorcaro deve interpretar a ação da PF contra o senador Ciro Nogueira como um ultimato. Afinal, há uma considerável discrepância entre o teor da proposta de delação e os muitos dados obtidos pelos investigadores a partir da análise minuciosa dos celulares apreendidos.
Além disso, a homologação de eventual acordo de colaboração premiada está condicionada à devolução dos recursos financeiros desviados no rastro das operações fraudulentas do Banco Master. Resta saber como o ex-banqueiro conseguirá devolver algumas dezenas de bilhões de reais.
Daniel Vorcaro não operou o bilionário esquema criminoso porque é desprovido de inteligência, que no caso foi utilizada para o mal. De tal modo, o melhor que ele pode fazer é se valerdo tempo ocioso na prisão para refletir e optar por contar a verdade. Do contrário, passará alguns bons anos atrás das grades.






