
A tão esperada CPI do Master naufragou no Congresso por conta do envolvimento de muitos parlamentares com o agora ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) fracassou pelo mesmo motivo. Políticos temiam que a chegada de Jorge Messias no STF seria uma espécie de endosso ao trabalho do ministro André Mendonça, relator do caso Master.
Quando o nome de Messias foi rejeitado em votação no plenário do Senado, fruto de manobra comandada pelo presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o UCHO.INFO afirmou que não demoraria muito para uma resposta à altura.
Nesta quarta-feira (13), em excelente matéria, o site Intercept Brasil escancara o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro. Em troca de mensagens com o responsável pela maior fraude bancária da história nacional, Flávio escreveu, em 16 de novembro de 2025:” Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
A frase escrita pelo ainda presidenciável é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões,em valores da época) para financiar a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Documentos e mensagens revelados com exclusividade pelo Intercept Brasil indicam que pelo menos US$ 10,6 milhões – cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos respectivos períodos das transferências — foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
Além de ter negado, com a costumeira desfaçatez, qualquer vínculo com Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro tentou empurrar o escândalo do Banco Master para o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.
Não por acaso, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que comandou a Casa Civil no governo golpista de Bolsonaro, foi alvo da mais recente fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que revelou pagamentos mensais feitos por Vorcaro em valores que variaram entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
Face lenhosa
Beira o absurdo alguém pretender produzir um filme biográfico sobre o golpista Jair Bolsonaro. Contudo, tal pretensão não surpreende se considerarmos que Flávio Bolsonaro abrigou a mãe e a esposa do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Criador do chamado “escritório do crime”, Nóbrega emprestou contas bancárias para recepcionar o dinheiro das “rachadinhas”, sistema operado pelo faz-tudo Fabrício Queiroz.
Flávio foi dono da mais rentável e espetacular loja franqueada de chocolate e conseguiu quitar em tempo recorde o financiamento imobiliário, junto ao BRB, utilizado para comprar uma mansão em Brasília. O senador alegou que quitou o empréstimo com recursos provenientes de honorários advocatícios.
Resumindo, o clã Bolsonaro mostra que está se especializando em promover milagres, principalmente o da multiplicação.






