Elogio de Trump em rede social dificultou a nada fácil situação de Flávio “Rachadinha” Bolsonaro

Filho de um golpista condenado e preso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conhecido nos bastidores da Alerj como “Flávio Rachadinha”, viajou pra Washington para obter uma foto ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem agenda oficial ou convite confirmado, Flávio tanto fez que conseguiu posar ao lado de Trump no Salão Oval da Casa Branca.

O objetivo do espetáculo de subserviência explícita deveria servir como cortina de fumaça para o envolvimento de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Manco Master, mas nem tudo saiu como planejado.

Na verdade, Flávio Rachadinha voltou dos EUA com dois problemas na bagagem. O primeiro é a decisão do governo Trump e classificar como grupos terroristas as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Tal medida representa interferência estadunidense em assuntos internos do Brasil, além de transformar o País em alvo de possíveis invasões americanas. O pedido de Flávio impacta a economia, colocando em risco diversas instituições financeiras nacionais.

Flávio Bolsonaro tentou sem sucesso colocar o escândalo do Banco Master na conta do atual governo brasileiro, além de tentar vender a ideia mambembe de que o presidente Lula defende o PCC e o CV, como se o clã Bolsonaro não tivesse estreita ligação com milicianos do Rio de Janeiro.

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O segundo problema de Flávio, talvez o mais complexo, decorre da proposta do governo Trump de empresas brasileiras que exportam produtos para os EUA, além de ameaçar a existência do PIX, meio de pagamento gratuito que incomoda a Casa Branca.

O anúncio do governo americano, feito na manhã desta terça-feira (2), colocou no colo de Flávio Bolsonaro a responsabilidade pela sobretaxa. O estrago foi tamanho, a ponto de obrigar o filho do ex-presidente golpista a escrever uma carta às autoridades estadunidenses solicitando a não sobretaxação de empresa brasileiras.

Flávio desembarcou em Brasília, vindo dos EUA, na condição de falso herói, mas a alegria durou pouco. Afinal, nesta terça-feira Donald Trump publicou na rede Truth Social uma foto da conversa com o senador, com a seguinte legenda: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!”.

Donald Trump acredita ser o mais astuto do planeta, mas causa espécie o fato de tecer elogios a alguém, filho de um golpista, que que trai a própria pátria e conspira contra o país. Assim como Flávio tenta se desvencilhar do lamaçal do Banco Master, Trump está sempre a acionar a manivela das polêmicas com o intuito de deixar para as calendas o escândalo sexual capitaneado pelo suicida Jeffrey Epstein, no qual o republicano está envolvido.