O que se sabe sobre o possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã

Os Estados Unidos e o Irã parecem estar próximos de um acordo para encerrar a guerra e abrir o Estreito de Ormuz.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse no sábado (13) que um acordo destinado a acabar com a guerra no Oriente Médio está mais próximo do que “nunca” e deve ser finalizado em até 24 horas.

O Paquistão está se preparando para a assinatura eletrônica do pacto, seguida imediatamente por negociações em nível técnico na próxima semana.

“Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura”, afirmou Sharif, cujo país desempenhou um papel crucial nas negociações de paz, em publicação na plataforma X.

Também o presidente dos EUA, Donald Trump, previu a assinatura do acordo para domingo e a imediata reabertura do Estreito de Ormuz.

Ataques recentes

O Irã havia proposto um cronograma diferente mais cedo no mesmo dia. Mas, ainda assim, sinalizou que um acordo estava em preparação.

O aparente avanço nas negociações ocorre após o Irã ter trocado ataques com os EUA e Israel durante três dias nesta semana, ameaçando levar a região a uma guerra em grande escala.

O Comando Central dos EUA informou, em uma publicação nas redes sociais na noite de sexta-feira, que interceptou vários drones de ataque iranianos que tinham como alvo navios comerciais no Estreito de Ormuz.

A guerra iniciada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro abalou o Oriente Médio e praticamente paralisou os embarques de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico. Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 7 de abril.

Veja as principais questões abordadas:

Prazo de 60 dias e questão nuclear

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse nesta sexta-feira que os termos para lidar com o programa nuclear iraniano seriam finalizados nos 60 dias seguintes à assinatura do acordo inicial e que as partes poderiam decidir prorrogar esse período.

O programa nuclear do Irã tem sido um ponto central de divergência. Os EUA e Israel temem que ele possa levar à criação de uma arma atômica – um dos principais motivos citados por seus líderes para iniciar a guerra. Teerã insiste que seus esforços nucleares têm fins pacíficos.

Um alto funcionário do governo dos EUA, que informou repórteres sob condição de anonimato e conforme as regras estabelecidas pela Casa Branca, disse na sexta-feira que o acordo em gestação iniciaria o processo de destruição ou remoção do urânio altamente enriquecido de Teerã.

A autoridade afirmou que o período de 60 dias após a assinatura do acordo por ambos os lados seria utilizado para definir os detalhes técnicos da remoção do urânio enriquecido do Irã.

O funcionário não detalhou quem os EUA preveem que ficará encarregado de remover o urânio, que se acredita estar armazenado sob três instalações nucleares atingidas por ataques americanos no ano passado.

Estreito de Ormuz

A autoridade americana afirmou que o acordo em negociação inclui disposições para a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.

Araghchi disse que o Irã deseja um acordo que permita a Teerã cobrar dos navios “por serviços prestados” ao transitarem pelo Estreito de Ormuz. O Irã impôs um sistema de pedágio durante a guerra, medida que os EUA e outras nações consideram uma violação do direito internacional.

O trânsito pelo Estreito de Ormuz – rota marítima vital para o transporte de petróleo e gás natural – foi interrompido, prejudicando o abastecimento global de energia, elevando os preços dos combustíveis e encarecendo alimentos e outros itens básicos muito além da região.

Alívio de sanções e liberação de ativos

Três autoridades da região afirmaram que o acordo em elaboração também deve prever a suspensão gradual das sanções ao Irã e a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados. Elas falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações.

Disseram esperar que a cerimônia de assinatura do acordo ocorra nos próximos dias, após a aprovação pelas autoridades de Washington e Teerã.

Destino do Líbano permanece incerto

O Irã tem insistido, desde o início, que qualquer acordo deve incluir também um cessar-fogo no Líbano, onde Israel tem combatido o Hezbollah, milícia aliada de Teerã.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, alertou na sexta-feira que o país ainda poderia agir de forma independente em relação ao Irã e que não deixaria as áreas que ocupa no Líbano, na Síria e em Gaza, nem se retiraria dos campos de refugiados no norte da Cisjordânia, território ocupado por Israel. Os combates continuaram no sul do Líbano neste sábado. (Com agências internacionais)