Na tentativa de salvar a campanha, Flávio Bolsonaro vai aos EUA para destilar falso bom-mocismo

A anorexia intelectual que embala o clã Bolsonaro é um monumento à insipiência, Senador pelo Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) está em Washington (EUA), onde participou da segunda audiência pública que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) promove nesta semana para investigar supostas práticas comerciais desleais ou prejudiciais aos interesses comerciais estadunidenses.

Em discurso de menos de cinco minutos, em inglês, Flávio, ao responder pergunta de um integrante do governo dos Estados Unidos, disse: “vocês têm a chance de ter um presidente não antiamericano como o atual”.

Filho “01” do golpista condenado Jair Bolsonaro, o senador tenta desfazer o cenário criado na esteira do pedido feito ao presidente Donald Trump para que impusesse tarifas a vários produtos brasileiros e classificasse as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Diante dos estragos produzidos em sua pré-campanha a partir do encontro com Trump, Flávio Bolsonaro cometeu o absurdo de sugerir ao governo dos EUA que adotasse a tarifação depois da eleição presidencial brasileira, como forma de supostamente evitar a vitória de Lula, candidato à reeleição.

Nesta terça-feira (7), em inequívoca mudança de discurso, Flávio disse que o governo Trump não deveria tarifar os produtos brasileiros em 25%, como recomendado pelo USTR em junho.


 

O Brasil assiste ao desespero de um pré-candidato que não sabe lidar com as consequências das próprias trapalhadas. Metade da direita brasileira passou a tratar com cautela e desconfiança a pré-candidatura de Flávio devido a episódios recentes.

O polêmico caso do filme “Dark Horse”, que recebeu aporte de R$ 60 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi o mestre-sala na passarela do escândalo. Na sequência, o encontro com Trump na Casa Branca – que resultou na ampliação do tarifaço a produtos brasileiros, na classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a ameaça contínua ao PIX – foi o segundo golpe contra a candidatura de Flávio.

O entrevero com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que em vídeo divulgado nas redes sociais afirmou que foi “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado, foi um duro golpe para Flávio, que pode ter perdido o apoio de boa parte do eleitorado feminino conservador.

Não bastasse, a declaração de Paulo Figueiredo Filho – parceiro de Eduardo “Bananinha” Bolsonaro em ações contra o Brasil – que disse que mulheres não sabem votar, principalmente as solteiras, foi a pá de cal em uma pré-campanha que ganha contornos de sepultura.

Sem saber como se desvencilhar do ninho de confusões que assombra sua pré-campanha, Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para protagonizar espetáculo que mescla falso bom-mocismo com subserviência nauseante. Em suma, aleivosia torpe.