Presidenciável do Missão, Renan Santos é um extremista de direita travestido de salvador da pátria

A cada dois anos, por ocasião das eleições, o Brasil se transforma em catapulta de salvadores da pátria, a maioria movida por discursos extremistas que fogem à coerência e atentam contra a legislação vigente. Ilustres desconhecidos, surgem do nada dispostos à “lacração”, sempre buscando conquistar o voto de quem acredita que tudo é possível.

Candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos não foge à regra quando o assunto é abduzir o eleitor. Durante o lançamento de sua candidatura, Renan, a reboque de discurso típico da extrema direita, disse “nós vamos matar quem roubar”.

“Hoje a regra ‘prendeu, soltou’, a provocação do ‘prendeu, matou’ é: você tem que ter dois caminhos. o prendeu, o matou, não tem outro caminho”, declarou.

Parasitas e decisões judiciais

Em entrevista à GloboNews, nesta quarta-feira (5), Renan chamou os integrantes do Centrão de “vagabundos e parasitas”, mas afirmou que, se eleito, negociará com o bloco parlamentar. Para quem disse “nós vamos matar quem roubar”, Renan Santos é frouxo, ou seja, em pé não fala o que escreve sentado. E vice-versa.

Sobre matar quem rouba, o presidenciável precisa ser informado que a legislação brasileira não contempla pena de morte. Como sempre acontece quando declarações de políticos repercutem mal e causam polêmica, Renan alegou que sua fala foi mal interpretada. Não é necessário vasto domínio do idioma verde-louro para interpretar a declaração do candidato do Missão.

Renan também afirmou que, caso eleito, não cumprirá decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) consideradas ilegais. De acordo com o candidato, decisões monocráticas que extrapolem as competências da Corte não devem ser obedecidas imediatamente.

O discurso de Renan Santos é marcado pelo embuste, pois decisão judicial, a depender da situação, não precisa ser cumprida imediatamente se houver possibilidade de recurso. No caso de sentença judicial com trânsito em julgado, a única saída é respeitá-la.

Gastos públicos e dívida tributária

No campo de corte de gastos públicos, Renan defende a desvinculação de recursos destinados à saúde e à educação, além da desindexação de benefícios atrelados ao salário mínimo, como aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

“O aumento do salário mínimo, indexando o aumento da aposentadoria e do BPC, acaba gerando pressão sobre o aumento de juros, porque aumenta a dívida, e, a dívida aumentando, você aumenta os juros. O seu dinheiro desvaloriza”, argumentou.

Coincidência ou não, Renan acumula R$ 1,1 milhão em dívidas tributárias com a União e a Previdência. O presidenciável do Missão acionou a Justiça Federal em São Paulo para suspender os efeitos e a publicidade dos débitos tributários registrados contra ele na plataforma Regularize, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Quando um candidato é contra as despesas obrigatórias (saúde e educação), mesmo devendo ao Estado, é porque há algo errado.

Machismo e estupro

Questionado sobre vídeo em que afirma ser machista, Renan alegou defender o restabelecimento da “boa autoridade masculina” na criação de filhos. “A questão central é: se você não restabelece esse tipo de postura, próxima de uma autoridade masculina que estabeleça limites e sirva de exemplo, a tendência desse rapaz não é apenas cometer crimes, mas ter uma vida mais disfuncional”, disse.

Perguntado sobre vídeo gravado em 2017, que voltou a circular em 2021, no qual faz piada envolvendo estupro, o candidato disse que a gravação foi tirada de contexto e fazia parte de encenação entre amigos durante uma festa.

“A gente estava numa festa, a gente tava simulando que eu era um rei, era uma brincadeira”, justificou. Renan classificou o comentário sobre estupro como “uma piada muito ruim”, do qual se arrepende.

A candidatura de Renan Santos à Presidência da República não surpreende, pois o Brasil é uma democracia, apesar de jovem. Contudo, assusta sobremaneira o fato de o candidato do Missão ter 4% das intenções de voto, como mostra a mais recente pesquisa Genial/Quaest.