
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (24) a Policia Federal (PF) a ter acesso a dados da investigação que envolve a produtora audiovisual Go Up Enterteinment, responsável pelas gravações do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi motivada por um pedido da PF para acessar dados de uma operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo que apura contratos da produtora com a prefeitura da cidade. O caso envolve o envio de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, uma entidade ligada à produtora.
Os repasses vieram à tona após Dino se tornar relator do inquérito que apura o suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao instituto. Os valores foram repassados por meio de emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP).
O caso chegou ao Supremo a partir de representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Filme
O filme que retrata a trajetória política de Bolsonaro – do chamado “baixo clero” na Câmara dos Deputados à fracassada tentativa de golpe de Estado – veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador assumiu publicamente ter solicitado e recebido dinheiro do ex-dono do liquidado Banco Master e negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro. Na esteira da desfaçatez, o senador disse que os recursos eram privados.
Caminho do dinheiro
Apesar da desbaratada declaração de Flávio Bolsonaro sobre os recursos para financiar a cinebiografia do pai golpista, até agora desconhece-se o destino de boa parte os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro.
Em 13 de fevereiro de 2025, a Entre Investimentos transferiu US$ 2 milhões, através do sistema SWIFT, para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, cujo agente legal é o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, de Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos sob a falsa alegação de perseguição política.
A Entre Investimentos e Vorcaro neguem qualquer vínculo societário, mas documentos e investigações apontam para possível conexão operacional entre o grupo e o ex-banqueiro, que está preso preventivamente e tenta pela terceira vez um acordo de delação premiada. Um possível acordo de delação tem tirado o sono de Flávio Bolsonaro e da sua equipe de campanha.
Fugindo da raia
Contrariando promessa feita em maio passado, Flávio Bolsonaro decidiu deixar a prestação de contas do filme para a produtora Go Up Entertainment, de propriedade de Karina Ferreira da Gama.
A Go Up já apresentou parte dos dados no âmbito do inquérito que tramita na Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores da Comarca de São Paulo, que apura suspeitas de irregularidades em contratos da ONG Instituto Conhecer com a Prefeitura da capital paulista.
O documento apresentado em junho, devidamente anexado ao inquérito, mostra que o filme custou R$ 75 milhões, dos quais R$ 54 milhões foram gastos no exterior e R$ 20,9 milhões, no Brasil. Não há recibos ou notas fiscais referentes aos alegados gastos, nem detalhamento dos pagamentos realizados.




