
Quem utiliza as redes sociais já deve ter percebido que no segmento jornalístico as plataformas se transformaram em Coliseus digitais, onde o público vai ao delírio quando gladiadores sucumbiam diante dos adversários. Nas redes sociais, a exemplo do Coliseu romano, postagens que geram engajamentos são as que tratam de escândalos de corrupção, guerras e ameaças, entre outros temas polêmicos.
Assim como alguns segmentos importantes da sociedade, jornalismo é um negócio cada vez mais ávido por lucros. Isso vai na contramão do princípio básico do jornalismo, que é informar com seriedade e responsabilidade, sempre com base na verdade dos fatos. O UCHO.INFO, sabem os leitores e as leitoras, não faz jornalismo de encomenda, tampouco tergiversa diante dos fatos. Fazemos jornalismo, nada mais!
Em cenário político polarizado e candidatos sem engalfinhando por votos, sem a preocupação de apresentar propostas para o Brasil, a grande imprensa tem se dedicado a noticiar escândalos de corrupção, alguns ainda no campo da suposição, sem se ater às provas, mas a vazamentos seletivos. Esse borbulhar noticioso, absolutamente questionável, é que faz tilintar o caixa da grande mídia, que de alguma forma precisa custear a própria estrutura.
No Brasil, assim como em muitos países, política e corrupção são irmãs siamesas. É fato que há honrosas exceções nesse universo marcado pelo despautério e pela transgressão da lei, mas a imprensa não demonstra interesse em desvendar o enigma de círculo sabidamente viciado e criminoso. Pelo contrário, em muitos casos, no afã de obter furos de reportagem, bajula e se alia a corruptos com mandato.
A realidade política no Brasil pode mudar? Sim, mas é preciso combater o mal pela raiz. De nada adianta noticiar casos de corrupção sem explorar e escancarar o nascedouro.
Em valores brutos, um deputado federal recebe mensalmente R$ 46 mil de salário, além de cota parlamentar, auxílio-moradia e verba de gabinete. Em quatro anos de mandato, um deputado embolsa R$ 2.208.000,00 (valor bruto). Considerado o percentual de 27,5% do Imposto de Renda, o valor final cai para R$ 1.600.800,00, equivalente a R$ 33.350,00 mensais.

No caso de senador da República, o salário bruto é o mesmo dos deputados, mas os valores subsequentes dobram pelo fato de o mandato durar oito anos. De tal modo, um senador recebe R$ 4.416.000,00 ao longo do mandato, R$ 3.201.600,00 já descontado o percentual do imposto de renda. Senadores também têm direito a cota parlamentar, auxílio-moradia e verba de gabinete.
A chave do enigma está no custo médio das campanhas eleitorais. Uma campanha considerada competitiva de candidato a deputado federal custa de R$ 3 milhões a R$ 8 milhões. O custo de uma campanha considerada forte varia de R$ 8 milhões a R$ 15 milhões.
Para o Senado, o custo de uma campanha competitiva varia de R$ 15 milhões a R$ 25 milhões. Em estados maiores em termos de contingente eleitoral, uma campanha com chance de êxito pode custar R$ 30 milhões ou mais. No tocante a campanhas presidenciais, o montante orbita com destreza na faixa dos nove dígitos.
A questão é meramente aritmética. Qual candidato a deputado federal aposta, na melhor das hipóteses, R$ 3 milhões em 45 dias de campanha para, em caso de eleição, receber R$ 1,6 milhão em salários ao longo de quatro anos. No caso de candidato a senador a situação piora sobremaneira, pois no cenário mais conservador é preciso investir R$ 15 milhões na campanha para, em caso de sucesso, receber R$ 3,2 milhões em salários ao longo de oito anos.
Tomando por base que na política brasileira, pelo menos, ninguém tem vocação para encarnar o personagem Agnaldo (interpretado por João Baldasserini), da novela Pega Pega, famoso por jogar dinheiro janela abaixo, a resposta cá está.
Talvez seja o caso de relembrar o refrão “dinheiro na mão é vendaval”, da canção Pecado Capital, de Paulinho da Viola, que embalou novela homônima. Em suma, candidato não tira dinheiro do próprio bolso, quem financia campanha quer contrapartida.
Os números citados na matéria são estimativas de planejamento, não valores oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ciente da realidade financeira das campanhas prefere fechar os olhos para as prestações de contas apresentadas pelos candidatos. O custo varia de acordo com o estado, o número de votos necessários, a estrutura partidária, a exposição prévia do candidato e a capacidade de mobilização.



