Franco-atirador da extrema direita, Renan Santos tem propostas delirantes para o País

Com a disputa presidencial polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro, os outros candidatos que gravitam na órbita da corrida ao Palácio do Planalto prometem absurdos para tentar convencer eleitores indecisos. Para tanto, os candidatos do chamado segundo pelotão protagonizam momentos que são verdadeiras odes ao despautério.

Candidato do Missão, Renan Santos deveria se debruçar sobre a Constituição Federal e livros que tratam de política internacional, pois suas declarações são lamentáveis para quem sonha em comandar o Brasil.

Na sabatina realizada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, Renan defendeu que o Brasil desenvolva armas nucleares como forma de garantir a soberania nacional e o protagonismo do País no cenário internacional.

A proposta de Renan Santos é de tal maneira delirante que chega a avançar sobre o terreno da galhofa. O desenvolvimento de armas nucleares não é um processo simples e depende da anuência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, algo que ultrapassa as fronteiras do impossível.

Além disso, desenvolver armas nucleares “na marra” é algo que contraria a soberania nacional. Prova disso é o programa nuclear iraniano, que colocou o país persa na mira das grandes potências, a começar pelos Estados Unidos. Não obstante, o Irã sofre sérias sanções econômicas há décadas.

Outra proposta descabida de Renan Santos transitou na área da segurança pública. O candidato do Missão disse, que caso eleito, dará prioridade ao combate às facções criminosas, como se fosse uma ação simples. Renan afirmou que acabará com o crime organizado em todo o País em no máximo um ano.

A fórmula de Renan Santos para decretar o fim do crime organizado é investir R$ 6 bilhões na construção de dez presídios, cada um com capacidade para 40 mil detentos. Questionado sobre o perigo de se cometer arbitrariedades, o candidato citou “o devido processo legal”.

Renan tem como modelo de segurança pública a política adotada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. No país da América Central, inúmeras são as denúncias de casos de tortura e desaparecimento.

O mesmo candidato que fala em “devido processo legal” afirmou que não respeitará decisões judiciais, em especial do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerar ilegais. Ele disse que “seguirá a lei” e que “decisão ilegal não se cumpre”.

Renan está jogando para a plateia da extrema direita, pois para decisão judicial considerada ilegal existem um mecanismo chamado recurso, que, é bom destacar, faz parte do devido processo legal. Decisão judicial cumpre-se. Se for contrária aos interesses do julgado, recorre-se.

Em relação ao descumprimento de decisões judiciais, Renan Santos deveria ler a Constituição Federal, que logo no artigo 2º estabelece: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Em suma, Renan Santos é mis um franco-atirador que desconhece o ordenamento jurídico do País e como se faz a boa política, algo que há muito o Brasil não sabe o que significa.