
O presidente do Supremo Tribunal Federal STF), ministro Luiz Edson Fachin, avalia tirar do ministro André Mendonça e assumir as investigações dos casos Master e INSS como forma de eventualmente conter a crise que tomou conta da Corte.
Fachin pode decidir de ofício e assumir a relatoria de ambos os casos, o que não garante que a crise institucional será debelada, pois a ação de André Mendonça foi do tipo “missa encomendada”.
O presidente do Supremo reuniu-se com auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar dos efeitos colaterais da irresponsável disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi convocado com o intuito de definir a melhor forma de enfrentar a inédita crise.
Durante o encontro, Fachin e assessores desconheciam a decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa.

Inconstitucional e arbitrária, a determinação de Mendonça foi a julgamento na Segunda Turma do STF, que formou maioria para referendar a decisão, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux têm ciência da inconstitucionalidade da decisão, mas preferiram endossar a absurda determinação de Mendonça.
O ministro André Mendonça agiu de forma deliberadamente proposital, pois o objetivo era criar uma crise institucional capaz de interferir nas eleições, como já acontece. Tivesse doses rasas de responsabilidade e comprometimento com a Constituição, Mendonça deveria ter levado o caso ao presidente da Corte, que por sua vez convocaria sessão secreta para deliberar sobre o escândalo envolvendo Alexandre de Moraes.
Estrago feito, resta ao ministro Luiz Edson Fachin não apenas assumir a relatoria de ambos os casos, mas, em nome da estabilidade institucional, sugerir que Mendonça e Moraes deixem o STF.



