Após decisões suspensas, duelo entre Dino e Mendonça se dará à sombra de operações da PF

A grave crise que se instalou no Supremo Tribunal Federal (STF) está longe de acabar, apesar das recentes decisões do presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin.

Na verdade, o STF corre o risco de assistir ao acirramento da crise institucional, mesmo após a suspensão das decisões da André Mendonça e Flávio Dino sobre diretores da Polícia Federal e a saída de Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das “fake news”.

Moraes, que há muito deveria estar fora do STF, com direito a prisão cautelar, não tem argumentos para qualquer tipo de reação mais contundente. Flagrado em troca de mensagens nada republicanas com o ex-banqueiro André Vorcaro, o magistrado deve se limitar ao silêncio obsequioso até a decisão do plenário sobre o seu futuro.

Protagonistas da mais recente queda de braços na última instância do Judiciário nacional, Flávio Dino e André Mendonça estão liberados para tomar decisões no âmbito de dois inquéritos: o do filme Dark Horse e do INSS, respectivamente.

Acreditando que o STF é um tabernáculo pentecostal, como destacamos em matérias anteriores, Mendonça tem dito aos irmãos de fé que Deus lhe confiou a missão de limpar o Brasil. O ministro ignora que o País ainda é laico.

Ao mesmo tempo, André Mendonça, que nos últimos dias fez a alegria de Flávio Bolsonaro e da respectiva equipe de campanha, pode a qualquer momento decidir no escopo do inquérito do INSS. Em outras palavras, não se deve descartar uma operação da PF contra alguns dos investigados, como forma de impactar a campanha do presidente Lula à reeleição.

Para tanto, uma eventual operação da PF precisará alcançar Fábio Luís Lula da silva, o Lulinha, contra quem não há, até o momento, uma prova sequer de sua participação no criminoso esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

É importante lembrar que Mendonça, em repentina demonstração de bom-mocismo, flexibilizou medidas cautelares impostas a seis investigados na Operação Sem Desconto, com a possibilidade de em determinados casos revogar as prisões.

No contraponto, Flávio Dino, que é relator do caso das emendas parlamentares, algumas das quais direcionadas ao financiamento da produção do filme Dark Horse, pode a qualquer momento autorizar operação da PF contra a produtora da cinebiografia sobre o golpista Jair Bolsonaro, devidamente condenado e preso.

Considerando que Flávio Bolsonaro disse nesta quarta-feira (9), durante ato de campanha, que Dino decidiu pela reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa aos respectivos cargos na PF como forma de favorecer Lula, o que não condiz com a verdade dos fatos, uma operação policial na conturbada seara do Dark Horse não deve ser descartada.