
O alto comissário Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda-feira (14) uma ação urgente para regulamentar a inteligência artificial (IA), diante dos riscos que os sistemas mais avançados da tecnologia podem representar.
“Estamos no início de uma mudança irreversível que afetará não apenas a nossa geração, mas também as futuras gerações da humanidade”, afirmou Türk em comunicado.
O chefe de Direitos Humanos da ONU conclamou governos e empresas a adotar mecanismos multilaterais de supervisão. Segundo ele, a IA pode ameaçar diversos direitos fundamentais, incluindo o direito à vida.
As preocupações com os impactos do rápido avanço da inteligência artificial cresceram nos últimos anos. Na última semana, apelos cresceram após executivos e ex-pesquisadores de algumas das principais empresas do setor passarem a defender uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia para permitir uma avaliação mais rigorosa dos riscos.
Para Türk, a corrida por sistemas cada vez mais poderosos representa uma transformação profunda e expõe diferentes aspectos da vida humana a riscos cada vez maiores. Ele também criticou a concentração de poder nas mãos de poucas empresas de tecnologia.
De acordo com o alto comissário, o mundo depende atualmente de um grupo reduzido de companhias para tomar decisões sobre o desenvolvimento da IA, com impactos potenciais sobre toda a humanidade.
Trump rejeita preocupações
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou as preocupações com o avanço da inteligência artificial como uma “conspiração doentia”.
Em publicação na rede Truth Social nesta segunda-feira, Trump afirmou que a única forma de controle ou de “barreiras de proteção” necessária para a IA é a atuação de um presidente “forte e inteligente”.
O presidente também disse que seu governo já impediu a empresa de tecnologia Anthropic de realizar ações “ruins ou potencialmente ruins” com a tecnologia.
Anteriormente, o Pentágono havia classificado modelos da empresa como um possível risco à segurança e chegou a impor temporariamente restrições a um de seus sistemas mais avançados.
“Há uma conspiração doentia contra a IA e os centros de dados, e o único país que se beneficia disso é a China”, escreveu Trump.
Pressão por desaceleração
No último sábado (12), o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu reduzir o ritmo dos avanços da inteligência artificial para ampliar a análise das novas capacidades da tecnologia e de seus possíveis efeitos. A posição recebeu apoio público do CEO da OpenAI, Sam Altman, e do empresário Elon Musk, dono do X.
Amodei alertou para os riscos de um desenvolvimento descontrolado da IA em escala global. De acordo com o dirigente da Anthropic, agentes de inteligência artificial poderão dominar grande parte da atividade na internet nos próximos seis a doze meses.
A Microsoft também divulgou diretrizes próprias para garantir supervisão humana sobre sistemas de Inteligência Artificial.
As declarações de Amodei repercutiram nos mercados financeiros e pressionaram as ações do setor de tecnologia. Os papéis da fabricante de chips Nvidia caíram 3,5%. (Com agências internacionais)




