
Até a proclamação dos resultados do primeiro turno das eleições de 2026, o clã Bolsonaro e seus apoiadores estavam tranquilos em relação à confiabilidade das urnas eletrônicas, sempre contestada pelo golpista condenado e preso Jair Bolsonaro.
Iniciado o período anterior ao segundo turno, Flávio Bolsonaro vestiu a cangalha da soberba e começou a escolher ministros de seu eventual futuro governo, como se a eleição presidencial já estivesse resolvida.
Como o passar dos dias, o clima de “já ganhou” começou a perder força na campanha de Flávio e nos bastidores do bolsonarismo. Faltando dois dias para o segundo turno, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos alegando falsa perseguição política, voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras.
“Dudu Bananinha”, como é conhecido o filho “03” do golpista, disse que caso Flávio seja derrotado nas urnas, o melhor que o irmão deve fazer é deixar o Brasil. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (23), durante participação no podcast “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder.
Perguntado sobre o que a família faria para ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro em caso de derrota do irmão, Eduardo respondeu, em tom de brincadeira: “Mandar os fuzileiros navais”. É preciso destacar que o deboche de “Dudu Bananinha” mudou de status, pois antes ele defendia que para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) bastavam um cabo e um soldado. Em suma, na família Bolsonaro a delinquência intelectual é questão genética.
O devaneio de Eduardo seguiu adiante… Ele afirmou que o presidente Lula teria feito ameaças ao irmão durante o debate da Band. “Ele estava ameaçando meu irmão. E, se meu irmão não vencer, eu sou favorável que ele deixe o País”, declarou.
Lula não ameaçou Flávio Bolsonaro, mas disse que caso o opositor saia derrotado, o que significa perda da imunidade, terá de responder às muitas ações judiciais e investigações. Em outras palavras, o presidente da República limitou-se a dizer o óbvio. Dudu Bananinha é foragido da Justiça, por isso incensa a tese persecutória das ameaças.

Em outro ponto da entrevista, Eduardo voltou a suscitar dúvidas em relação ao sistema eletrônico de votação utilizado no Brasil, reconhecido internacionalmente pela eficácia e segurança, e argumentou que a ausência de cédulas impressas compromete a fiscalização dos resultados. “O problema é que não usamos papel. Não há contagem pública dos votos e você precisa confiar na máquina. Usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, disse.
O filho “03” também recorreu a uma frase que atribuiu ao ditador soviético Josef Stálin para questionar a confiabilidade da contagem dos votos. “Como disse Stálin, não importa em quem você vota. A questão é quem conta os votos”, afirmou. “Da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve”, destacou.
Eduardo Bolsonaro citando Josef Stalin, um dos pilares do comunismo, prova a assertividade dos ditos populares “quem sai aos seus não degenera” e “o fruto não cai longe da árvore”. Afinal, Jair Bolsonaro, em entrevista concedida ao Estadão no ano de 1999, rasgou elogios a Hugo Chávez. O golpista disse à época que a “Revolução Bolivariana” era uma “esperança para a América Latina”.
“Chávez é uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil”, disse o então deputado. “Acho ele ímpar. Pretendo ir a Venezuela e tentar conhecê-lo”, completou.
Sendo assim, juntando as pontas soltas das duas declarações, só falta a família Bolsonaro fazer o “L”, digitar o número 13 na urna e confirmar.



