Presidente do Paraguai renuncia após escândalo provocado por colapso de banco

A Câmara dos Deputados do Paraguai autorizou nesta quinta-feira (4), por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, minutos depois de ele anunciar sua renúncia na esteira de um escândalo que deixou quase metade da população do país sem acesso às suas contas bancárias.

O processo agora segue para o Senado, a quem caberá decidir se aceita a renúncia de Peña ou aprova definitivamente a destituição forçada dele do cargo.

A votação na Câmara ocorreu enquanto milhares de pessoas protestavam pelo terceiro dia consecutivo, tentando recuperar suas economias, salários e pensões perdidos com o colapso do Ueno Bank, alvo de intervenção do Banco Central (BCP) na última terça-feira.

O banco digital criado em 2021 reunia 2,9 milhões de clientes — em um país de 6,5 milhões de habitantes — e administrava cerca de 850 milhões de dólares em recursos públicos.

O BCP interveio no Ueno após constatar que a instituição descumpriu os requisitos mínimos de solvência. Como consequência, milhões de clientes perderam acesso às suas contas, espalhando pânico entre a população e gerando correria aos bancos.

“Quero pedir desculpas ao povo”

Momentos antes de os deputados autorizarem o impeachment de Peña, o presidente havia publicado um vídeo no X anunciando a renúncia.

“Faço isso tendo em mente a estabilidade do nosso país, a paz social e a necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, afirmou Peña em uma mensagem em vídeo gravada e divulgada nesta quinta. “Quero pedir desculpas ao povo se em algum momento lhes falhei.”

Peña agiu após perder o apoio de aliados dentro do seu próprio Partido Colorado, de orientação conservadora, num momento em que os deputados já debatiam o impeachment.

O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência em seu lugar.

Entenda a crise

Parlamentares acusaram Peña de conflitos de interesse, uso indevido de fundos de pensão e acobertamentos institucionais relacionados ao colapso do Ueno.

“Meu maior desejo é que a devolução desses recursos seja garantida, que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos, assim como os recursos que pertencem a todos os paraguaios, sejam protegidos”, acrescentou Peña em seu pronunciamento.

Peña foi acionista do grupo que controlava o Ueno até março de 2025, e nomeou seu ex-presidente, Carlos Carvallo, para o BCP em 2023.

Carvallo acabou renunciando ainda na terça-feira, e Peña promulgou uma lei que dá prazo de cinco dias úteis para restituir a maioria dos fundos dos clientes do Ueno, mas as medidas não foram suficientes para conter a crise.

Aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, Peña assumiu o mandato em agosto de 2023 e governaria por cinco anos, até 2028. (Com agências internacionais)