
A assistente social Márcia Lopes )à direita na foto) é a nova ministra das Mulheres, no lugar de Cida Gonçalves. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu posse a Márcia nesta segunda-feira (5), em reunião no Palácio do Planalto.
De acordo com a Presidência da República, a exoneração de Cida e a nomeação de Márcia serão publicadas nesta segunda-feira, em edição extra do Diário Oficial da União.
Em publicação nas redes sociais, Márcia Lopes afirmou ter aceitado o convite de Lula “com alegria e senso profundo de responsabilidade”.
“Assumo essa missão com humildade, coragem e o compromisso de toda uma trajetória dedicada à justiça social, à defesa dos direitos humanos e à construção de políticas públicas que transformam vidas, especialmente a vida das mulheres neste país”, escreveu.
Márcia Lopes já foi ministra de Lula em seu segundo governo, em 2010, no comando do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Antes, ocupou a secretaria-executiva da mesma pasta, de 2004 a 2008. Márcia é formada em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, onde também foi professora, com mestrado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 2022, ela fez parte da equipe de transição do terceiro governo Lula, no grupo de assistência social.
Paranaense, Márcia Lopes é irmã de Gilberto de Carvalho, nome histórico do PT que foi chefe de gabinete de Lula durante seus dois primeiros mandatos, de 2003 a 2010. Atualmente, Carvalho atua como secretário Nacional de Economia Popular e Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Laços de família
Se o parentesco serve de moldura para a nomeação da nova ministra, faz-se necessário destacar que Gilberto Carvalho, muito além do divulgado, foi secretário de Governo da Prefeitura de Santo André, na gestão de Celso Daniel, sequestrado e brutalmente assassinado em janeiro de 2002.
Em seguida ao crime, o UCHO.INFO divulgou com exclusividade as gravações telefônicas envolvendo o caso, o que nos rendeu processos, ameaças e intimidações. Resistimos às investidas e mantivemos no ar as gravações que revelam os bastidores após a morte de Celso Daniel.
Em abril de 2014, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que na ocasião cumpria mandato de deputada federal pelo PSDB paulista, em audiência pública da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara, acusou Gilberto Carvalho de ser o “homem do carro preto” na Prefeitura de Santo André, então comandada por Celso Daniel.
Gabrilli revelou que seu pai, dono de empresa de ônibus na cidade do Grande ABC, era extorquido por integrantes do PT. O dinheiro seria levado pelo “homem do carro preto” ao ex-ministro José Dirceu. Ela disse que o outrora prefeito foi assassinado logo após ter prometido acabar com o esquema criminoso. Celso Daniel coordenava a campanha de Lula à Presidência e nos bastidores era cotado para assumir o Ministério da Fazenda.
Em contundente depoimento à CPI dos Bingos, que tramitou no Senado em 2005, o professor Bruno Daniel – irmão de Celso Daniel – afirmou ter ouvido de Gilberto Carvalho a confissão de que a morte do então prefeito de Santo André teve ligação com o esquema de extorsão montado na cidade para financiar o PT.
De acordo com Bruno, na missa de 7.º Dia de Celso Daniel, em 26 de janeiro de 2002, Carvalho pediu para conversar com a família do ex-prefeito e fez revelações comprometedoras. “Ele disse que eram momentos de tensão porque tinha de ir em seu Corsa preto, sem segurança, entregar o dinheiro ao deputado José Dirceu”, afirmou Bruno, referindo-se a Carvalho. “E que em uma só vez entregou R$ 1,2 milhão ao deputado (então presidente do PT).”

Na opinião de Bruno, a atitude de Carvalho – à época secretário de Governo de Santo André – soou como um recado aos parentes do prefeito assassinado para não insistirem na investigação.
Diante dos senadores, Bruno foi categórico: “A família tem plena convicção, baseada em provas materiais e fortes evidências, de que o crime foi encomendado e não comum, como insistem o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e outros petistas que apoiaram as investigações feitas pela Polícia Civil de São Paulo.”
Disse também que Celso Daniel tinha conhecimento do esquema criminoso. “Foi montado um esquema de arrecadação de recursos, ele tinha controle do que acontecia na prefeitura”, afirmou, diante da insistência do então senador Tião Viana (PT-AC) de que Celso não se envolveria com corrupção.
Gravações
Nas gravações (links abaixo) é possível compreender o “teatro” montado logo após o assassinato de Celso Daniel, com detalhes sobre a movimentação posterior ao crime.
Celso Daniel foi casado com Miriam Belchior, que responde pela Secretaria-Executiva da Casa Civil da Presidência, chefiada pelo “companheiro” Rui Costa. Miriam e Celso se divorciaram em 1996, ou seja, antes do crime.
Em uma das gravações, Ivone Santana, ex-namorada de Celso Daniel, recebe orientações de Gilberto Carvalho sobre entrevistas que seriam concedidas. Em outras, Sérgio Gomes da Silva, conhecido como “Sombra” e assessor do então prefeito, demonstra nervosismo logo após o assassinato. No dia do sequestro, Sombra dirigia o carro em que estava Celso Daniel, após deixarem conhecida churrascaria na zona sul da cidade de São Paulo.
Confira abaixo os principais trechos das gravações telefônicas do caso Celso Daniel, divulgadas à época com exclusividade pelo UCHO.INFO. Em uma delas, Gilberto Carvalho e Ivone Santana tratam a morte de Celso Daniel com frieza.
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