Jornalismo rasteiro questiona valor do contrato da esposa de Moraes com o Master

A extrema direita está usando o caso do Banco Master para atacar adversário político-ideológicos, como se não tivesse relação com Daniel Vorcaro, protagonista da maior fraude bancária da história nacional.

Outro alvo dos extremistas é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das ações penais da trama golpista, que mandou Jair Bolsonaro e seus asseclas para a prisão.

A turba radical tem encontrado terreno fértil em alguns veículos de imprensa, que alimentam a polarização com questionamentos sobre o valor do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.

O jornal “O Estado de S. Paulo”, por exemplo, tem insistido demasiadamente na questão do contrato entre o Master e o escritório Barci de Moraes, cujo valor seria de R$ 129 milhões pelo período de três anos, mas acabou rescindido por ocasião da liquidação extrajudicial da instituição financeira.

O Estadão, que há muito vem se dedicando ao jornalismo rasteiro, publicou na edição de segunda-feira (10) matéria sobre o valor do contrato, que está acima da média do mercado, de acordo com escritórios de advocacia consultados sob condição de anonimato. Tal detalhe (anonimato) coloca a matéria no terreno da suspeição.

Prestação de serviços advocatícios não segue tabela de preços, cabendo ao prestador definir o valor com base na própria competência e na complexidade do caso. Se o contratante concorda com o valor dos serviços do contratado não há o que discutir.

Na verdade, o Estadão busca tumultuar o cenário político, com vistas às eleições de outubro próximo, ao mesmo tempo em que pretende aumentar o número de leitores. Isso está longe de ser jornalismo. É, sim, sensacionalismo e oportunismo baratos.

O Estadão afirma na matéria que o Master pagava mensalmente R$ 3,6 milhões ao escritório Barci de Moraes. Em que pese o fato de que escritórios concorrentes terem declarado que o valor do contrato é superior à média do mercado.

A título de comparação, em abril de 2012, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, contratou o criminalista Márcio Thomaz Bastos (falecido em novembro de 2014) por R$ 15 milhões para defendê-lo na Operação Monte Carlo.

Conforme combinado com a família do contraventor, o criminalista deixou o caso no final de julho de 2012. Em suma, o contrato teve duração de quatro meses. Utilizando o IPCA para atualizar os R$ 15 milhões pagos por Cachoeira, o valor salta para R$ 32 milhões, ou seja, a defesa custou R$ 8 milhões mensais. Seguindo o raciocínio do jornal, caso o Master pudesse contratar Thomaz Bastos, os honorários seriam de R$ 300 milhões.

Não é de hoje que o Estadão recorre ao sensacionalismo tosco e rasteiro. Em 2000, o jornal publicou matéria fraudulenta sobre o Dossiê Cayman, inventada por seu então correspondente dos Estados Unidos, imputando ao editor do UCHO.INFO fatos que jamais ocorreram. De nada adiantou contatar provar a fraude.

Apesar do covarde ataque, perpetrado por um jornalista (sic) incompetente e mitômano, o editor do UCHO.INFO preferiu não ingressar na Justiça por respeito a Manuel Alceu Affonso Ferreira, à época advogado do Estadão. A decisão foi comunicada a Manuel Alceu pelo próprio editor, durante um voo de Brasília a São Paulo.