Flávio Bolsonaro recorre ao coitadismo nauseante para criticar prisão domiciliar do pai golpista

Ganhou sobrevida o plano de transformar o golpista condenado Jair Bolsonaro em injustiçado e vítima do Supremo Tribunal Federal (STF). Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a decisão do ministro Alexandre de Moraes, autorizando a prisão domiciliar do ex-presidente representa um “primeiro passo para fazer Justiça”.

Contudo, o senador classificou a medida como “exótica” por ter caráter temporário, de 90 dias. Flávio também criticou o período em que o pai esteve preso na sede da Polícia Federal: “Não tinha uma flor para ele poder olhar”.

Flávio disse que o período em que o ex-presidente ficou na Superintendência da Polícia Federal, entre 22 de novembro de 2025 e 15 de janeiro, antes de ser transferido para a Papudinha, foi “completamente inadequado” para a saúde de Bolsonaro.

“Ele ficava em uma sala de 3 por 4, trancado 22 horas por dia. Tinha direito a duas horas para caminhar em um espaço muito pequeno, cercado de muros brancos. Não tinha uma planta, uma flor para ele poder olhar, algo diferente”, afirmou o senador.

O senador ainda mencionou o incômodo constante do barulho do ar-condicionado central do prédio, que descreveu como um “zumbido infernal o dia inteiro”.

Linha do tempo

Reza a sabedoria popular que “o peixe morre pela boca”, ou seja, falar demais ou sem prudência pode trazer consequências negativas. Em 21 de novembro de 2012, durante discurso no plenário da Câmara dos Deputados, Bolsonaro acionou sua conhecida e chula verborragia para criticar o Projeto de Lei número 2.230, que instituiu o Estatuto Penitenciário Nacional.

Entre os muitos absurdos regurgitados por Jair Bolsonaro, ao menos dois merecem destaque:

– Alojamento individual – ou seja, é a Lei Áurea para os presos, mas, em vez de Princesa Isabel, teremos o Príncipe Domingos Dutra, o autor dessa proposta de lei;

– Alimentação de boa qualidade, preparada por nutricionistas;

– Para cada 400 presos, teremos 7 médicos, 3 enfermeiros, 3 odontólogos, 3 psicólogos, 3 nutricionistas, 12 professores, meia dúzia de auxiliares de enfermagem, 24 instrutores técnicos profissionalizantes, e por aí afora.

Bolsonaro, que pelos próximos 90 dias cumprirá pena em prisão domiciliar, estava detido na Papudinha em sala de Estado-Maior com área total de 64,83 m² – quarto, sala, cozinha, lavanderia, banheiro com água quente e área externa. O espaço permite banho de sol e exercícios físicos, instalação de equipamentos de fisioterapia e flexibilidade do período de visitação.

Ademais, a Papudinha conta com estrutura de saúde e ambulâncias para atendimentos de emergência, utilizando maca e protocolos médicos para transferências de detentos. Apesar do cipoal de mordomias, o senador Flávio Bolsonaro, aquele da fantástica fábrica de chocolate, reclama pelo fato de o pai não conseguir ver uma flor.

Prisão domiciliar temporária

Flávio argumentou que, se a saúde de seu pai corre risco no sistema prisional, não faz sentido estipular um prazo de 90 dias para o benefício da prisão domiciliar. “Se a saúde dele melhorar em casa, ele volta para o lugar onde a saúde dele estava piorando?”, questionou.

“É uma decisão exótica porque traz mais uma inovação: uma prisão domiciliar humanitária provisória. Isso não existe na legislação e é um pouco contraditório”, afirmou o senador.

Sobre o episódio em que o ex-presidente tentou retirar a tornozeleira eletrônica enquanto estava sozinho em casa — argumento utilizado anteriormente pela Justiça para mantê-lo preso e assistido —, Flávio explicou que a família deve tomar novas providências.

De acordo com o senador, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deve acompanhar o marido permanentemente, mas haverá reforço profissional.

“Acredito que ele terá ali uma assistência de enfermagem ou médica. Isso terá que ser uma providência tomada pela família para evitar quadros de desequilíbrio ou quedas”, disse.