Presidenciável do PSD, Caiado delira ao prometer anistia ao golpista Jair Bolsonaro

Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab anunciou, nesta segunda-feira (30), que o candidato da legenda ao Palácio do Planalto é Ronaldo Caiado, governador de Goiás, sabujo de Jair Bolsonaro que flerta com a extrema-direita sem qualquer dose de cerimônia.

O anúncio aconteceu uma semana após o governador do Paraná, Ratinho Júnior, desistir de concorrer à Presidência da República. Ratinho alegou questões pessoais, mas não convenceu.

A escolha do presidenciável do PSD estava entre Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, que disse estar desencantado com a definição do partido.

Goste-se ou não de Eduardo Leite, sua declaração é coerente em termos políticas. O chefe do Executivo gaúcho afirmou que a escolha de Ronaldo Caiado serve para manter viva a polarização político-ideológica que vem corroendo o País desde a corrida presidencial de 2018.

Por outro lado, Ronaldo Caiado terá menos dificuldade para angariar recursos para a campanha pelo fato ser escancaradamente alinhado ao agronegócio, onde dinheiro não é problema. Contudo, esse importante detalhe não garante vitória nas urnas.

Em discurso, após ser ungido pela cúpula do PSD, Caiado disse que o primeiro ato, se eleito, será conceder anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar e condenado por tentativa de golpe de Estado.

“Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita, replicando aquilo que Juscelino Kubitschek soube fazer com muita maestria a todos aqueles que se rebelaram realmente em uma verdadeira tentativa de golpe pela Aeronáutica”, declarou.

Caiado é um populista conhecido que não perde oportunidade para agradar parte do eleitorado. Caso eleito, o governador de Goiás precisará fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) para levar adiante a promessa de anistiar Bolsonaro e outros golpistas.

A concessão de anistia a envolvidos em tentativas de golpe de Estado e atos contra o Estado Democrático de Direito é amplamente considerada inconstitucional por juristas e ministros do STF. Perdoar crimes contra a democracia viola cláusulas pétreas, configura desvio de finalidade e gera impunidade institucionalizada, sendo, portanto, nula.

Descabida e oportunista, a fala de Ronaldo Caiado tem um objetivo: cooptar parte dos eleitores bolsonaristas que, por enquanto, animam-se com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, o senhor da “fantástica fábrica de chocolate” e adulador despudorado de milicianos cariocas.