Xi Jinping prega cooperação comercial com os EUA, mas alerta Trump sobre Taiwan

O presidente da China, Xi Jinping, elogiou nesta quinta-feira (14) um “novo posicionamento” alcançado nas relações com os Estados Unidos após sua reunião com seu homólogo americano, Donald Trump, em Pequim, descrita pelo republicano como “a maior cúpula de todas”.

Os dois líderes concordaram que as relações entre os países devem permanecer “construtivas, estratégicas e estáveis”, em uma lógica de cooperação aliada a uma competição moderada. Xi, porém, advertiu que divergências sobre Taiwan podem levar a relação por um caminho perigoso e até resultar em conflito.

Trump está na China em sua primeira visita ao país desde 2017, quando esteve em Pequim. As duas maiores economias do planeta protagonizam sérias discordâncias em temas que envolvem competição tecnológica e tarifária, a guerra no Irã e a delicada questão de Taiwan, cujo principal aliado é Washington.

“Ambos acreditamos que a relação entre a China e os Estados Unidos é a relação bilateral mais importante do mundo. Temos de fazer com que ela funcione e nunca prejudicá-la”, afirmou Xi posteriormente em um banquete de Estado com Trump. “Tanto a China quanto os Estados Unidos têm a ganhar com a cooperação e a perder com o confronto. Nossos dois países devem ser parceiros, e não rivais.”

Já Trump convidou Xi para uma visita a Washington, em setembro. Também descreveu a relação entre os EUA e a China como uma das “mais importantes da história mundial”. Os dois líderes evitaram temas controversos em seus discursos públicos.

Em comunicado, a Casa Branca classificou a reunião como “boa” e que “os dois lados discutiram formas de ampliar a cooperação econômica”.

Divergências sobre Taiwan e “conflito” no radar

Durante reunião a portas fechadas, Xi disse a Trump que, se a questão de Taiwan for bem administrada, as relações bilaterais terão “estabilidade geral”. Caso contrário, os dois países correm o risco de entrar em conflito, segundo resumo divulgado por agências estatais chinesas.

“Se a situação for mal conduzida, os dois países podem entrar em confronto ou até mesmo em conflito, levando toda a relação entre a China e os EUA a uma situação extremamente perigosa”, disse Xi, segundo a emissora CCTV.

Questionado se havia tratado do tema, Trump não respondeu enquanto posava para fotos com Xi após a cúpula. Taiwan também não foi mencionada no resumo divulgado pela Casa Branca. Mais tarde, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a política dos EUA em relação a Taiwan “permanece inalterada”.

A ilha, governada democraticamente, é reivindicada por Pequim e vem sendo cada vez mais armada pelos Estados Unidos. Na quarta-feira, a China reiterou sua forte oposição às vendas americanas de armamentos a Taiwan, enquanto Washington avalia liberar um novo pacote de US$ 14 bilhões (R$ 70 bilhões). Pela legislação americana, os EUA são obrigados a fornecer meios de autodefesa à ilha, apesar da ausência de relações diplomáticas formais.

Joe Mazur, analista de geopolítica da consultoria Trivium China, afirmou que, embora Pequim já tenha usado advertências duras no passado, as declarações de Xi foram notáveis. “Ele está alertando o lado americano, sem rodeios, para não fazer besteira”, disse.

Em nota, o governo taiwanês afirmou manter contato direto com a diplomacia americana e agradeceu o apoio de Washington. “Os EUA também reiteraram repetidamente sua posição firme e clara de apoio a Taiwan”, disse Michelle Lee, porta-voz do gabinete do premiê. (Com agências internacionais)