Trump diz que Irã pediu “cessar-fogo”; Teerã diz que anúncio é “falso e infundado”

Não bastasse a política esquizofrênica que predomina na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agora flerta sem cerimônia com a mitomania.

Nesta quarta-feira, 1º de abril, dia dedicado à mentira, Trump disse que um “novo presidente do regime do Irã” pediu um “cessar-fogo” aos EUA e sinalizou que considerará essa possibilidade assim que o Estreito de Ormuz for reaberto.

“O novo presidente do regime do Irã, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que seus antecessores, acabou de pedir aos Estados Unidos da América um CESSAR-FOGO!”, escreveu Trump, embora não tenha deixado claro a quem se referia. “Vamos considerar isso quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído”, completou.

No entanto, o regime iraniano negou categoricamente que tenha feito tal pedido. O país oficialmente também não tem “um novo presidente”. O chefe do Executivo é o mesmo desde 2024: Masoud Pezeshkian.

Após Trump fazer tal afirmação, o Ministério do Exterior iraniano, em declaração à TV estatal, refutou o anúncio, classificando-o como “falso e infundado”.

Já a Guarda Revolucionária, principal força de segurança do regime que mantém o controle do estreito, enfatizou que manterá a passagem fechada para os “inimigos” e rejeitou o que descreveu como “ações performáticas” de Trump.

De acordo com o presidente estadunidense, até que o estreito esteja “aberto, livre e liberado”, “nós explodiremos o Irã até a obliteração ou, como dizem, de volta à Idade da Pedra!!!”

Donald Trump enfrenta uma onda de protestos domésticos contra uma guerra descabida e desnecessária, que fez disparar o preço do petróleo, impactando todas as economias ao redor do planeta.

Trump sabe que foi um erro embarcar no discurso belicista de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, por isso adota narrativa embusteira para tentar minimizar os efeitos colaterais da guerra nas eleições legislativas de novembro.

Reconhecidamente perdedor nesse insano conflito, Trump tem como saída dizimar o Irã com o uso da força militar americana, mas isso teria um preço exageradamente alto para os EUA, que seriam classificados com párias. (Com agências internacionais)