Política está há anos-luz do que infelizmente temos visto nos últimos tempos

(*) Waldir Maranhão

A vida política exige mais do que ambição — exige caráter, consciência e, sobretudo, profundo senso de responsabilidade coletiva. Quem escolhe esse caminho precisa compreender, desde o primeiro passo, que compromisso não é uma palavra de campanha, mas uma prática diária, firme e inegociável com o povo. Comprometer-se é estar presente, ouvir com atenção, agir com coerência e responder com transparência. É manter a palavra mesmo quando o silêncio seria mais conveniente, é sustentar princípios quando a pressão aponta para atalhos, é governar com a consciência de que cada decisão impacta vidas reais.

O compromisso verdadeiro não se mede em discursos, mas em atitudes. Ele se revela na capacidade de priorizar o interesse público acima de qualquer conveniência pessoal ou partidária. É entender que representar o povo não é falar por ele, mas agir com ele e por ele, respeitando suas necessidades, suas dores e suas esperanças.

O desapego, por sua vez, é a base da verdadeira liderança. Desapegar-se implica abrir mão de vaidades, de privilégios, de interesses individuais e até mesmo da necessidade de reconhecimento. Quem governa em nome do povo não pode governar para si. O poder, quando tratado como propriedade, corrompe e distancia; quando tratado como missão, aproxima e transforma. O desapego exige humildade para compreender que o cargo é transitório, mas o impacto das decisões é duradouro.

Desapegar-se também é ter maturidade para abrir mão de posições quando necessário, reconhecer limites, dividir responsabilidades e valorizar o coletivo. É entender que a política não deve ser instrumento de promoção pessoal, mas ferramenta de construção social. O verdadeiro líder não se apega ao poder — ele se apega ao propósito.

A coragem é indispensável nesse caminho. Coragem não apenas para enfrentar adversários, mas para enfrentar sistemas, estruturas e, muitas vezes, a própria cultura política enraizada. Coragem para contrariar interesses poderosos, para romper com práticas injustas, para dizer não quando todos esperam um sim conveniente. Coragem para defender o que é certo, mesmo que isso traga desgaste, críticas ou isolamento.

Mas há também uma coragem silenciosa, menos visível e igualmente necessária: a coragem de reconhecer erros, de rever decisões, de aprender com a realidade. Em um ambiente onde a aparência muitas vezes tenta se sobrepor à verdade, admitir falhas é um ato de grandeza — e não de fraqueza. É essa coragem que humaniza a política e aproxima o governante do cidadão.

E nada disso se sustenta sem determinação. A política é, por natureza, um campo de resistência. Obstáculos são constantes, interesses se chocam, avanços são muitas vezes lentos e a frustração pode se tornar rotina. É a determinação que mantém o propósito vivo diante das dificuldades, que impede o desânimo de vencer e que transforma intenção em ação concreta.

A determinação é o que faz o agente público persistir quando os resultados não aparecem de imediato, quando as críticas se intensificam ou quando o caminho se torna mais difícil do que o previsto. É ela que sustenta o trabalho diário, que dá continuidade aos projetos e que garante que as promessas não se percam no tempo.

Compromisso, desapego, coragem e determinação não são virtudes isoladas — são pilares interdependentes de uma política feita com dignidade, seriedade e respeito. Juntas, elas formam a base de uma atuação pública que não se curva a interesses particulares, que não se perde em vaidades e que não se desvia de sua finalidade maior.

Fazer política em nome do povo é compreender que cada decisão deve refletir o bem comum. É saber que o verdadeiro legado não está nos cargos ocupados, mas nas transformações realizadas. É agir com a consciência de que governar é servir — e que servir exige entrega, integridade e propósito.

No fim, a política só encontra sentido quando está conectada à vida das pessoas. E é por meio desses valores — compromisso, desapego, coragem e determinação — que ela se torna não apenas um exercício de poder, mas um instrumento legítimo de transformação social, capaz de construir um futuro mais justo, mais humano e verdadeiramente coletivo.

Esses princípios não são apenas conceitos abstratos. Eles orientaram minha atuação pública em momentos decisivos, especialmente quando fui chamado a me posicionar diante de temas sensíveis e de grande repercussão nacional.

Coragem demonstrei ao me posicionar com veemência contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Tal decisão custou caro em termos políticos, mas preferi manter coerência com aquilo que entendia como justo. O processo foi amplamente debatido no campo jurídico e político, com interpretações distintas quanto à caracterização de crime de responsabilidade.

Confiante na determinação e na resiliência que nunca me faltaram, reitero o meu inabalável compromisso com o povo do meu Maranhão. Por essas razões, coloco-me como pré-candidato a deputado federal. Eleito, defenderei, como sempre, os interesses de cada conterrâneo, pois o Maranhão precisa urgentemente manter distância da polarização política para sair da estagnação social.

(*) Waldir Maranhão – Médico veterinário e ex-reitor da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), onde lecionou durante anos, foi deputado federal, 1º vice-presidente e presidente da Câmara dos Deputados.

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