
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (22) que a instituição retirou as credenciais de um agente de segurança dos Estados Unidos que atuava na sede em Brasília, como um ato de “reciprocidade” diplomática.
A medida é uma resposta à decisão do governo de Donald Trump de retirar, na terça-feira (21), as credenciais do país do adido de segurança do Brasil, Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami como oficial de ligação com as autoridades de imigração americanas, disse o chefe da PF em entrevista concedida à GloboNews.
As autoridades americanas libertaram, em 15 de abril, Alexandre Ramagem, após dois dias de detenção na Flórida. Ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por participar do núcleo da trama golpista, que fracassou em 8 de janeiro de 2023.
Credenciais suspensas
O chefe da PF explicou que Marcelo Ivo, representante brasileiro junto à agência federal de imigração dos Estados Unidos (conhecida pela sigla ICE), teve suas credenciais suspensas em sua unidade de trabalho em Miami.
“Com pesar, retirei hoje as credenciais do oficial (de imigração) dos Estados Unidos que estava na Polícia Federal” até que “possamos esclarecer definitivamente o que aconteceu”, disse Rodrigues, invocando o “princípio da reciprocidade”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na terça-feira, em Hannover (Alemanha), que o Brasil responderia de forma recíproca se fosse comprovado “abuso de autoridade” contra Marcelo Ivo.
Andrei Rodrigues afirmou não ter recebido notificação de uma “expulsão” e que foi ele quem decidiu que Ivo voltasse para o Brasil. Na segunda-feira (20), o Departamento de Estado dos EUA havia divulgado, na rede social X, ter solicitado que um funcionário brasileiro deixasse o país por tentar “manipular” o sistema de imigração e “estender uma caças às bruxas políticas ao território americano”.

O diretor-geral da PF negou qualquer irregularidade por parte do agente brasileiro e disse ser “insano” acreditar que Ivo tenha tentado “enganar” as autoridades estadunidenses. Além disso, Rodrigues destacou que não houve “nenhuma expulsão de nenhum funcionário brasileiro”.
Rodrigues garantiu que Marcelo Ivo voltou ao Brasil “por sua própria decisão” devido ao episódio, para que a PF pudesse “esclarecer” se existe um processo formal do governo de Donald Trump contra o funcionário.
O chefe da PF declarou que entendeu que seria “mais prudente convocá-lo para que voltasse ao Brasil” depois que retiraram as credenciais, embora tenha esclarecido que o funcionário continua credenciado na agência dos Estados Unidos e que sua missão lá permanece em vigor.
Infração de trânsito
Marcelo Ivo de Carvalho participou da prisão de Alexandre Ramagem (PL), que fugiu em setembro de 2025 após receber uma pena de 16 anos de prisão pelo envolvimento na tentativa de golpe de Estado liderada por Bolsonaro. Em janeiro, o governo brasileiro formalizou junto aos EUA o pedido de extradição de Ramagem.
O diretor da PF ressaltou que Alexandre Ramagem foi preso no estado americano da Flórida por infração de trânsito. “Quando o abordaram, solicitaram seus documentos e identificaram que ele estava com o visto cancelado pelo próprio ICE”, afirmou.
Os aliados de Ramagem atribuíram sua rápida libertação a intervenções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (Com agências de notícias)





