
Em tempos de inteligência artificial, demonstrações públicas de ignorância natural e de conveniência é algo inadmissível. Contudo, a situação é ainda pior quando o falso gênio decide chafurdar no cocho do oportunismo barato e rasteiro.
Filiado ao PL, o que dispensa maiores apresentações, o senador acreano Márcio Bittar disse, em sua participação na sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que o cantor Caetano Veloso teria pegado em armas durante a criminosa ditadura militar.
“Fernando Gabeira, até o Caetano Veloso, em um momento de lucidez admitiram isso, os dois disseram isso: ‘Nós não lutávamos pela democracia, lutávamos pela implantação da ditadura do proletariado’. E em nome disso pegaram em armas. Foram para a guerrilha urbana e rural. Mataram pessoas, fizeram justiçamento, e todas foram perdoadas e anistiadas em 1979”, disse Bittar.
Ao final da desvairada intervenção, o senador Otto Alencar (PSD-BA) solicitou a Bittar que retirasse de sua fala a citação a Caetano Veloso. “Apenas peço que vossa excelência retire da sua fala que Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira em violão”, comentou.
Por infortúnio, o Brasil tornou-se refém do banditismo político e da delinquência intelectual que grassa entre muitos pretensos representantes do povo. A manifestação de Márcio Bittar é um escárnio e revela o desespero da turba golpista com a situação dos condenados no âmbito do fatídico 8 de janeiro.
Em que pese a tentativa dos bolsonaristas de reverter a condenação dos envolvidos na trama golpista, a começar por Jair Bolsonaro, é importante salientar que qualquer movimento nessa direção é flagrantemente inconstitucional. Nesse cenário, Jorge Messias, caso viesse a integrar o STF, teria de votar contra qualquer incursão dessa natureza.
De tal modo, os brasileiros de bem, defensores da democracia, devem estar atentos às declarações do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, pois seu intuito, se eleito, é tentar anistiar o próprio pai e a camarilha golpista. Ditadura nunca mais!






