
Indicar Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi uma arriscada aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que optou pela teimosia, em vez de abrir caminho ao bom-senso. Advogado-geral da União, Messias almejava ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se despediu da Corte em outubro de 2025.
Com tantos nomes respeitáveis no meio jurídico, Lula preferiu fazer mais um agrado aos companheiros de legenda, os quais têm atrapalhado sobremaneira a navegação do governo, que nos últimos meses passou a adernar no mar da opinião pública.
Longe de ser um notável jurista, Jorge Messias escalou posições em Brasília, mas saiu do anonimato como subsecretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff. Na ocasião, em gravação ilegal autorizada pela força-tarefa da Lava-Jato, Dilma disse a Lula, por telefone, que Messias lhe entregaria um documento com nomeação para o cargo de ministro, manobra que objetiva evitar a prisão do petista.
À época, Dilma estava aparentemente resfriada e, com voz fanha, ao pronunciar o nome do assessor balbuciou “Bessias”. Assim Jorge Messias ficou conhecido desde então. Diante dessa alcunha, que não desapareceu com o tempo, Lula errou ao fazer a indicação.
Quando o nome de Jorge Messias ganhou a Praça dos Três Poderes como indicado de Lula ao STF, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) passou a trabalhar contra a indicação, ao mesmo tempo que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Na esteira da resistência de Alcolumbre em relação a Messias, o presidente da República preferiu ganhar tempo, retardando o envio da indicação oficial para o Senado. O tempo passou, mas a intransigência de Davi Alcolumbre não mudou.
Imaginando que poderia facilitar o caminho de Messias, o presidente Lula autorizou a liberação de R$ 12 bilhões em emedas parlamentares, movimento que aconteceu na última segunda-feira (26). Apesar de ter sido contemplado no vácuo de mais uma farra com o dinheiro público, Davi Alcolumbre atuou nos bastidores para inviabilizar a chegada de Messias ao STF. O segundo erro capital de Lula foi acreditar em Alcolumbre, que no meio político é conhecido por ser pouco confiável.
Há quem garanta que, atuando para derrubar a indicação de Jorge Messias, o presidente do Senado conseguiu mandar um recado a Lula. Outro recado teria sido enviado ao STF, uma vez que os senadores estão descontentes com a atuação dos ministros da Suprema Corte.
O presidente Lula terá de lidar com a retumbante derrota, que pode lhe custar a reeleição, mas na política, assim como na Física, a toda ação corresponde uma reação. O “troco” poderá emergir no pântano do Banco Master.
A Polícia Federal (PF) afirmou que o presidente da Previdência do Amapá (Amprev), Jocildo Silva Lemos, teve “papel central” na destinação de R$ 400 milhões em letras financeiras emitidas pelo Master. Em relatório enviado à Justiça Federal, a PF afirma que Jocildo, ex-tesoureiro de campanha de Alcolumbre e indicado ao comando da Amprev pelo senador, atuou como garantidor da operação com o Banco Master.
Por outro lado, os ataques ao STF podem ter desdobramentos: muitos senadores respondem a ações penais que tramitam na Corte, apesar da turbulenta crise ética que enfrenta.
Resumindo, caso conheça minimamente o movimento do jogo político, Jocildo Lemos deveria se preocupar com o eventual soar da campainha de casa ao amanhecer.






