
O caso envolvendo a empresa Química Amparo, fabricante de produtos de limpeza da marca Ypê, foi prontamente arremessado na seara política pela extrema direita. Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar a suspensão da venda e fabricação dos produtos do lote com final 1 e o devido recolhimento, bolsonaristas entraram em cena para politizar a decisão técnica.
De acordo com a Anvisa, os produtos da Química Amparo do referido lote apresentam risco de contaminação microbiológica, podendo provocar vermelhidão, coceira, ardência e inflamações, entre outras reações.
Vice-prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL) recomendou, em publicações nas redes sociais, o uso de produtos da marca Ypê. “Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê”, afirmou ele no vídeo, em que aparece lavando louça. “Vamos mudar essa história. Vamos mostrar a nossa força.”
Apesar da liminar concedida pela Justiça à fabricante, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Anvisa continuam alertando para os riscos envolvendo o uso e a comercialização dos produtos que fazem parte do lote com final 1.
Em vídeo compartilhado pelo vice-prefeito da capital paulista, o senador bolsonarista Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) sugere que a Anvisa estaria agindo em represália à empresa pela doação à campanha de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
“Quero ver [o governo] também mandar suspender e acabar de uma vez por todas com o [jogo do] tigrinho. Quero ver ser leão, como vocês estão querendo acabar com a Ypê, e acabar com o tigrinho, que está acabando com a família brasileira”, afirmou o senador, que prefere ignorar o fato de que parlamentares do Centrão viajaram em avião do empresário responsável pelo “jogo do tigrinho” no Brasil.
Fruto do desvario ideológico, a fala do senador Cleitinho Soares mostra de forma inequívoca que o bolsonarismo gravita na órbita da irresponsabilidade e do oportunismo.
Nesta segunda-feira (11), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a interdição do lote de produtos fabricados pela Química Amparo envolveu análises do setor de vigilância sanitária do estado de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro. Padilha ressaltou que o diretor da Anvisa responsável pelo setor que suspendeu os produtos, Daniel Meirelles, foi indicado à agência durante o governo Bolsonaro.
Considerando que a turba bolsonarista acredita que a Terra é plana, que é possível combater vírus com vermífugo e as 700 mil mortes durante a pandemia de Covid-19 nada representaram, o melhor a fazer é seguir a orientação da Anvisa.






