
Em maio de 2025, a influenciadora Virgínia Fonseca prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Bets, em tramitação no Senado Federal. Aos integrantes da CPI tentou explicar seu papel na divulgação de apostas online.
De acordo com a Revista Piauí, a influenciadora tinha contrato com a Esportes da Sorte, conhecida casa de apostas online, que previa o chamado “cachê da desgraça alheia” – ela recebia 30% do montante que os apostadores perdiam no jogo. Por esse motivo, o “cachê da desgraça alheia” tornou-se um dos assuntos de destaque da CPI.
Ao depor, Virginia disse não saber da epidemia de dependência e endividamento provocada pelas bets no Brasil e negou lucrar com a má sorte dos seguidores-apostadores. “Nunca recebi 1 real a mais do que o contrato de publicidade que fiz por dezoito meses”, declarou. “Era um valor fixo. Se eu dobrasse o lucro, eu receberia 30% a mais da empresa, mas isso não chegou a acontecer.”
Com 541 páginas, o parecer da relatora, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), pedia o indiciamento de dezesseis pessoas, entre elas, Virginia Fonseca. Em junho de 2025, após intenso lobby das empresas de jogatina, o relatório da CPI das Bets foi rejeitado pela maioria dos integrantes da comissão. Com isso, a influenciadora e os demais escaparam do indiciamento.
Contudo, a ex-mulher do cantor Zé Felipe (filho do sertanejo Leonardo) e ex-namorada do atacante Vinicius Jr. passou a ser investigada pela Polícia Federal por movimentações envolvendo empresas vinculadas a ela, identificadas em Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), como destacou a Piauí.
Foi devido aos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), do Coaf, anexados à CPI, que ela passou a ser alvo das autoridades, que investigam a legalidade das operações financeiras da influenciadora e suas empresas, além da origem dos recursos movimentados, a eventual prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro.
Uma das contas bancárias investigadas é a da Talismã Digital, empresa que mantinha com o Zé Felipe. Entre março e setembro de 2024, a companhia de mídias digitais recebeu R$ 22,4 milhões. Deste montante, a AMP Pay Marketing e Negócios é apontada como uma das principais depositantes, que enviou R$ 17,7 milhões em cinco remessas via Pix.
O alerta partiu do Santander, já que a AMP Pay está registrada na categoria Simples Nacional, cujo regime permite apenas negócios que faturam até R$ 4,8 milhões por ano, ou R$ 400 mil por mês. Outro detalhe que chamou a atenção do banco foi que, além do montante não previsto na categoria, é que a empresa está localizada em um box comercial no Centro de Itajaí (SC).

A WPink, empresa de suplementos nutricionais de Virgínia, cujos sócios são Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile, também entra no bolo da investigação, conforme matéria da Piauí. O Mercado Pago Instituição de Pagamento comunicou ao Coaf, em março de 2025, operações financeiras realizadas entre 2 de janeiro e 13 de março do mesmo ano, em que os créditos da conta somavam R$ 43,6 milhões e os débitos chegavam a R$ 43,5 milhões. As movimentações foram enquadradas como “atípicas”, pois o montante, aparentemente, não condizia com o faturamento mensal documentado pela empresa.
O Coaf também foi acionado pelo Banco Itaú sobre alerta de movimentações suspeitas por parte da Savi Cosméticos S.A., a Wepink, empresa que tem o faturamento anual declarado ao Banco Central de R$ 75 milhões.
Em maio de 2024, o Itaú informou sobre 190 transações, no total de R$ 502 mil, feitas entre 21 de novembro de 2023 a 21 de maio de 2024, a partir de depósitos feitos em caixas eletrônicos de variadas agências bancárias. Embora o recebimento em espécie seja usual no ramo de cosméticos, o sistema financeiro vê a maneira fragmentada de receber recursos como suspeita, pois pode maquiar a movimentação e o faturamento, além de esconder eventual origem ilícita do dinheiro.
À Revista Piauí, os advogados Felipe dos Santos de Paula e Dalmo Jacob do Amaral Jr., que representam Virgínia, prestaram alguns esclarecimentos sobre as operações. Em relação ao alerta do Santander sobre depósitos da AMP Pay para a Talismã Digital, Santos afirmou que os pagamentos são referentes a cachê por “campanhas publicitárias devidamente contratadas”, mas não deu detalhes sobre o serviço.
Ele declarou que “todas as operações foram regularmente declaradas perante os órgãos fiscais competentes, com emissão das respectivas notas fiscais”.
Quanto à movimentação da Wpink Suplementos Nutricionais, Amaral Jr. disse que a “empresa utiliza de forma esporádica o mecanismo de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática lícita e amplamente adotada no mercado.”
Já sobre os alertas do Itaú, o advogado alegou que “os depósitos mencionados correspondem à parte das receitas de vendas realizadas diariamente nos quiosques próprios [da empresa], que possuía 11 unidades em 2023 e 13 unidades em 2024” e, por isso, há tantos depósitos com dinheiro em espécie. (Foto: Instagram / Virgínia Fonseca)



