
Como antecipou o UCHO.INFO em matéria publicada na edição de 3 de junho, a nova proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pelos advogados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro corre o risco de ser rejeitada pelas autoridades. Entregue aos investigadores da Polícia Federal que atuam o âmbito da Operação Compliance Zero e à Procuradoria-Geral da República (PGR), a proposta não traz elementos novos.
Os policiais que investigam o escândalo do agora liquidado Banco Master avaliam que Vorcaro, mais uma vez omitiu informações que as autoridades já têm conhecimento, com o objetivo de poupar políticos que gravitaram na órbita da maior fraude bancária da história do País, como, por exemplo, os senadores Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro.
Nova reunião entre os advogados de Vorcaro com os órgãos de investigação estava agendada para a última semana, mas deve ocorrer nos próximos dias. Na recente proposta. O ex-banqueiro ampliou as informações, mas não o suficiente para garantir um acordo de delação.

Quando a primeira proposta foi rejeitada duas vezes, pela PF e pela PGR, Daniel Vorcaro deixou a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estava preso em sala de Estado-maior, e por ordem do ministro André Mendonça (STF) foi transferido para o complexo prisional da Papuda.
No final de maio, diante da possibilidade de retomada das negociações para um acordo de delação, Vorcaro, por decisão de Mendonça, retornou à Superintendência da PF. Nesse retorno o cenário das investigações já era distinto, pois o pai e o cunhado do ex-banqueiro, Henrique Moura Vorcaro e Fabiano Zettel, respectivamente, foram presos.
Enquanto tenta omitir fatos que comprometem autoridades e políticos, Daniel Vorcaro perde terreno para o avanço das investigações. Isso porque policiais trabalham incessantemente na extração e checagem de dados armazenados em quase cem dispositivos eletrônicos – incluindo celulares – apreendidos ao longo da Compliance Zero.
Caso Vorcaro não colabore com os investigadores, seu retorno à Papuda é quase certo. Além disso, é grande a possibilidade de, na esteira de inevitável condenação, passar longa temporada preso. Além melhorar a qualidade e amplitude das informações, o ex-banqueiro terá de devolver o montante de R$ 60 bilhões.



