Jaques Wagner deveria recorrer ao bom-senso e deixar a liderança do governo no Senado

Em que pese o direito à presunção de inocência, válido a todos os cidadãos, a situação do senador Jaques Wagner (PT-BA) não é das mais confortáveis. Investigado no âmbito da Operação Compliance Zero por ter sido beneficiário de benesses concedidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus prepostos, Wagner deveria renunciar ao posto de líder do governo no Senado Federal.

De acordo com investigações da Polícia Federal, Jaques Wagner teria recebido de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro na instituição financeira, um apartamento no valor de R$ 2,5 milhões, além de cinco ingressos de um show musical em Loas Angeles, nos Estados Unidos. Os ingressos, no valor de R$ 63 mil, foram providenciados por Augusto Lima. Além disso, Wagner teria utilizado aeronaves ligadas ao Master e a Vorcaro.

Nesta quinta-feira (18), logo após a PF deflagrar a nona fase da Compliance Zero,o Partido dos trabalhadores manifestou confiança no senador baiano. Presidente nacional do PT, Edinho Silva disse ter confiança que o correligionário “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”.

“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, afirma Edinho em nota.

Por sua vez, o diretório do PT na Bahia afirmou ter “total e plena confiança nas condutas do senador”. “Ao longo de toda sua vida política, Wagner foi acusado injustamente inúmeras vezes e jamais teve absolutamente nada que o desabonasse. O andar das investigações vai mais uma vez provar que Wagner nunca se envolveu com qualquer ato ou ação fora da legalidade”, enfatiza a nota do PT da Bahia.

Não se trata de condenar por antecipação, mas Jaques Wagner deveria ter um gesto de grandeza e deixar a liderança do governo no Senado, especialmente porque este é um ano de eleições gerais.

Considerando que no campo político o Brasil há muito está tomado por insana polarização e discursos de ódio, muitas vezes impulsionados por notícias falsas, beira o descabimento impor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, tamanho ônus eleitoral.

A investigação sobre Jaques Wagner mostra que a PF age com total independência, sem qualquer ingerência do governo Lula, portanto é preciso que os culpados sejam devidamente punidos de acordo coo o que manda a legislação vigente.